O mais novo membro da família Hard Rock Cafe devia ter nascido no verão, mas também é bem-vindo agora que a chegada do inverno convida a temperaturas quentes entre quatro paredes. As portas do Hard Rock Cafe Porto, situado no número 120 da Rua do Almada, na esquina com a rua Dr. Artur de Magalhães Basto, abriram-se a 20 de novembro, domingo, à noite. Sem grande alarido, para que locais e turistas pudessem conhecer tudo sem grandes enchentes e, sobretudo, para que os funcionários consigam entrar na rotina e aperfeiçoar a arte de bem servir hambúrgueres, bifes, asinhas de frango, nachos e cocktails, para citar alguns dos pedidos mais populares do menu.

Mas quem vai a um Hard Rock Cafe procura também rock. E, quando o Observador entrou, as colunas e os muito ecrãs espalhados pelos três andares emitiam “Nobody Really Cares If You Don’t Go to the Party“, de Courtney Barnett. Isto é que foi entrar com o pé direito. O primeiro bar é logo ali. O palco fica ao fundo da sala e, quando não está a ser ocupado por artistas em concerto, funciona como extensão da sala, ganhando mesas e cadeiras para refeições. Ao todo, há cerca de 260 lugares sentados.

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O edifício do século XIX foi reabilitado, conserva os tetos em relevo e um pé direito que lhe dá um certo ar palaciano. © João Manuel Ribeiro / Divulgação

Quem não quiser consumir e tiver apenas curiosidade de ver que objetos de bandas viajaram da sede da cadeia americana, localizada em Orlando, na Florida, até ao Porto, pode entrar. Os olhos vão deter-se primeiro numa guitarra dos Kiss. Nisso ou no teto esculpido, memória preservada do edifício palaciano do século XIX, que foi propriedade do Banco de Portugal.

Mas voltemos à memorabilia. Numa parede, uma guitarra Gibson e umas botas plataforma de impor respeito, outrora propriedade de Tim Skold, ex-colaborador de Marilyn Manson. Ao lado, uma luva preta de látex de Perry Farrell, o inimitável vocalista de Jane’s Addiction. Continuando no guarda-roupa, há umas sapatilhas pretas de Joe Perry, dos Aerosmith, e uma t-shirt dos Sex Pistols que Slash envergou em palco, a fazer riffs ora para os Guns N’ Roses, ora para os Velvet Revolver.

A subida ao primeiro andar já se faz ao som de “Another One Bites The Dust”, dos Queen. Não há objetos de Freddy Mercury e companhia, mas há um colete preto às bolinhas brancas tão pequeno e estreito que quase só podia ser de Prince. Ao lado, uma foto do músico, falecido em abril deste ano, com a peça vestida. Em frente está um casaco de Courtney Love, mais colorido. Coincidência das coincidências, nessa altura começa a soar nas colunas “1979”, cantada por um dos seus ex-namorados, Billy Corgan, dos Smashing Pumpkins.

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A guitarra autografada por Rusty Anderson, companheiro de gravações e de estrada do ‘Beatle’ Paul McCartney, mora agora no Porto. © Sara Otto Coelho / Observador

Falando em abóboras, é altura de sentar e ver o que é que o Hard Rock Cafe Porto tem de alusivo à cidade no seu menu, que a fome já aperta. Vinho do Porto, claro, e uma francesinha (14,45€) — opção que não se encontra em mais nenhum dos quase 200 estabelecimentos da cadeia americana. Cada café tem ainda o seu hambúrguer “local legendary”, feito com ingredientes locais. O portuense leva alface, tomate, cebola roxa, um hambúrguer de carne de vaca, alheira e queijo da serra. Custa 15,75€, assim como o clássico “original legendary burger” e todos os da lista.

Os preços, já se sabe, são pouco portuenses. “Um café por dois euros?!”, exclamava uma mulher à porta do edifício. Sim. E um refrigerante custa 3,80€. A cerveja portuguesa disponível é a Sagres, a 3,70€ a garrafa, 5,10€ o pint (cerca de 0,6 litros), ou 2,60€ o meio pint. Heineken, Guinness, Strongbow, Budweiser e Desperados completam o naipe. A lista de cocktails é longa e colorida, com margaritas, sangrias, fruitapaloozas e muitas outras misturas. Todos a partir de 8€.

Nas entradas, os nachos cobertos com uma mistura de três feijões, queijos, pico de gallo, cebolinho e jalapeños (12,45€) são tentadores, assim como as típicas asinhas de frango (11,75€). Nas carnes, destaque para o “rib eye“. São 392 gramas de bife de alcatra, prometem, “grelhado na perfeição”, com manteiga de ervas, puré de batata e legumes (24,95€). A ter de escolher uma sobremesa, é o “hot fudge brownie” (9,45€). Porquê? Por isto: gelado de baunilha e chocolate quente sobre brownie caseiro, coberto com pedaços de noz, grãos de chocolate, chantilly e uma cereja.

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No primeiro piso fica outro bar. © João Manuel Ribeiro / Divulgação

Com o estômago cheio recupera-se a energia para subir ao segundo e último andar. Ao contrário dos dois pisos inferiores, ali não há bar, apenas mesas e, claro, paredes recheadas. Numa está uma camisa de ganga do rei do rock, Elvis Presley. Noutra, o disco de ouro atribuído aos Beatles pelo single “Yellow Submarine”. Umas sapatilhas Nike assinadas por David Bowie e um chapéu de palha de Elton John ficam entre guitarras de fazer inveja a muito colecionador — de Les Paul a Cliff Richard.

Este é o segundo Hard Rock Café a abrir em Portugal, depois do de Lisboa, em 2003. A sul, Rui Veloso está representado com uma guitarra. No Porto não há objetos de músicos portugueses, mas essa intenção já foi manifestada pela gerência e poderá ser uma realidade no futuro. Não chegaram ao Porto os objetos mais sonantes da coleção Hard Rock, mas para quem está a cantarolar “Should I stay or should I go“, a visita vale a pena — só o edifício já valeria a deslocação. As exposições não são estáticas e, de sete em sete anos, guitarras, discos de ouro e outras peças de encher o olho são mudadas de local, chegando outras à Invicta.

Até lá, alimentam-se bocas mas também ouvidos. A programação ao vivo para o palco ainda não foi anunciada mas, em breve, deverá dizer algo como “Please allow me to introduce myself” na página oficial de Facebook. Uma vez no interior do edifício, se começarem a soar canções muito pouco (para não dizer nada) rock de Rihanna, Katy Perry ou Bruno Mars, não adianta protestar com os funcionários. O franchising é controlador e impõe uma playlist para todos os cafés espalhados pelo mundo, com pouca margem para fuga. “Let it be“!

Nome: Hard Rock Cafe Porto
Morada: Rua do Almada, 120, Porto (Baixa)
Telefone: 22 766 4470
Horário: A loja abre às 10h e fecha à 01h, o restaurante abre às 12h e fecha à 01h, o bar abre às 11h e encerra às 02h
Reservas: Não aceita. Exceção feita para eventos especiais para grupos, os quais devem ser enviados para o e-mail sales@hrcporto.com
Site: https://www.facebook.com/HRCPorto/