Dívida Pública

Portugal está “falido”, diz ex-economista-chefe do Deutsche Bank

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Crescimento da economia portuguesa previsto para 2017 é considerado insuficiente. Para entender a gravidade da situação, basta olhar para o peso da dívida pública sobre o produto interno bruto.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Portugal está “falido”, considera Thomas Mayer, ex-economista-chefe do Deutsche Bank. Citado pela Rádio Renascença, Mayer considera que o crescimento de 1,5% previsto pelo Governo para 2017 é insuficiente e alerta para o peso da dívida pública, situado em mais de 130% do produto interno bruto (PIB).

O economista diz, também, que, caso não se desse a circunstância de a agência de rating canadiana DBRS manter a notação de crédito de Portugal acima do nível de “lixo”, o país estaria em “maus lençóis”. Se a DBRS baixar o rating da dívida portuguesa, Portugal perderá o acesso aos mercados para se financiar.

Thomas Mayer afirma que, para melhorar a competitividade que permitira acelerar o ritmo de crescimento da economia portuguesa, Portugal teria de dar continuidade às reformas estruturais iniciadas pelo Governo liderado por Pedro Passos Coelho. “Mais horas de trabalho, mercados de trabalho mais flexíveis, talvez uma taxa de desemprego mais alta temporariamente. Coisas que o Executivo anterior fez, mas não tiveram continuação. Resta então uma única alternativa, sair do euro”, argumenta o economista, de acordo com a RR.

Daniel Stelter, ex-consultor do Boston Consulting Group, refere que reduzir os salários e aumentar as horas de trabalho não são soluções. “Se se reduzisse os salários, a crise agravaria e seria mais difícil pagar as dívidas. Imagine que compra uma casa em Lisboa. Antes ganhava 5.000 euros, mas passa a ganhar 3.000. Ia ter problemas”, disse. Para este economista, Portugal só tem um caminho: assumir a falência e reestruturar a dívida.

“O racional seria sentarmo-nos, reestruturar a dívida, fazer reformas. E olharmo-nos olhos nos olhos e perguntar: quem consegue aguentar o espartilho do euro e quem não consegue”, considerou Stelter, embora duvide que isto venha a suceder. “Imagine que Angela Merkel se recandidata a chanceler e diz: ‘a propósito, o resgate do euro vai custar-nos 1 bilião’. Isso não seria muito popular”, remata o economista.

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