Um estudo da Royal Society publicado esta semana sugere que, desde há vinte e sete séculos, os dias tornaram-se 1,8 milésimos de segundo mais longos por cada cem anos que passam. E isto acontece porque a Terra está mais lenta, demorando cada vez mais a completar uma rotação em torno do seu eixo. É normal que não se aperceba disso: serão precisos 3,3 milhões de anos para essa desaceleração nos obrigue a fazer contas e a juntar mais um minuto aos nossos dias. Este estudo veio deitar por terra os cálculos anteriores, que diziam que os dias têm tido 2,3 milésimos de segundo em cada século que passava.

Para chegar a estas conclusões, a equipa da Royal Society estudou as teorias gravitacionais relacionadas com os movimentos da Terra em redor do Sol e da Lua em redor da Terra, o que permitiu contabilizar as durações dos eclipses da Lua e do Sol ao longo do tempo. A seguir, compararam estes dados com os deixados pelos gregos, babilónios, chineses, árabes e europeus medievais. Ao fazê-lo, os cientistas aperceberam-se de discrepâncias entre onde os eclipses deviam ter sido observados e onde foram de facto vistos. Essa discrepância prova que a velocidade de rotação da Terra mudou desde 720 a.C..

Todos estes cálculos são, no entanto, meras estimativas porque há muitos fatores que os podem invalidar. A velocidade de rotação da Terra pode ser alterado pela densidade das calotes polares, interações eletromagnéticas entre o manto e o núcleo ou por diferenças no nível da água do mar. É por isto que, de tempos a tempos, é necessário ajustar os relógios de alta precisão.