Mais más notícias para Itália. O Banco Central Europeu rejeitou o pedido do banco italiano Monte dei Paschi di Siena que queria mais tempo para aumentar o seu capital, avança a agência Reuters, colocando mais pressão sobre as autoridades italianas para aumentar o capital do banco com dinheiro dos contribuintes.

O banco mais antigo de Itália terá pedido mais três semanas para encontrar os 5 mil milhões de euros de capital de que necessita com recurso apenas a investidores privados, mas o BCE não aceitou. Segundo a Reuters, o supervisory board do BCE terá entendido que três semanas não resolveria grande coisa e que está na altura do governo italiano intervir.

O terceiro maior banco da terceira maior economia da zona euro, o Monte dei Paschi di Siena deverá ter de receber apoio do Estado, já que o tempo para montar uma operação privada – até ao final do ano – é agora mais limitado.

À luz das regras europeias, a partir do momento em que Estado colocar dinheiro no banco, os acionistas do banco terão de sofrer perdas e isso mesmo já se está a refletir nas ações do banco, que tiveram de ser suspensas depois de cair mais de 11%.

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Fonte: Bloomberg.

Devido a esta decisão do BCE, a recapitalização pública do banco poderá avançar ainda este fim de semana. Segundo o jornal italiano La Republica, o governo italiano já está a preparar o decreto para a recapitalização pública do banco.

Caso avance o cenário de resolução, os credores, acionistas e até quem tiver depósitos acima de 100 mil euros poderá sofrer perdas. As regras que deixam expostos os depósitos acima de 100 mil euros só entraram em vigor este ano, não tendo ainda havido resoluções neste período, podendo este ser o teste derradeiro a um conjunto de regras que, apesar de recente, já é muito criticado.

O banco tem vindo a trabalhar na recapitalização pela via privada e até tinha interessados, alguns do Médio Oriente, mas o referendo constitucional levado a cabo no passado domingo tirou o apetite aos investidores. O primeiro-ministro, Matteo Renzi, pediu demissão na sequência do resultado do voto popular.