Só quem está muito convencido daquilo que quer fazer é que compra um forno a lenha de duas toneladas e meia sem ter sítio onde o pôr. Rui Matos e Joaquim Prates estavam. E por isso, de visita à fábrica Acunto, em Nápoles, os dois sócios não hesitaram perante o exemplar pretendido: maciço, feito de argila do Vesúvio, de funcionamento integral a lenha. O mesmo forno que, sete meses e 2709 quilómetros depois, é responsável por cozinhar todas as pizzas servidas na Forneria, a pizzaria que os dois amigos de longa data abriram em setembro, no extremo norte do Parque das Nações, em Lisboa.

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O forno está a uma temperatura constante de 300 graus e coze até seis pizzas ao mesmo tempo em pouco mais de dois minutos. (foto: © Tiago Pais / Observador)

Há muito que queriam abrir um negócio em conjunto. E porquê as pizzas? “É uma paixão de ambos”, explica Rui, que não hesita em nomear a referência lisboeta na matéria: o Casanova, que pela localização e vizinhança não é raro ouvir tratar pela alcunha “pizzas do Lux”. Não queriam copiar, mas queriam fazer o melhor possível. E o melhor que conheciam a fazer pizzas era Vítor Cunha, pizzaiolo do Casanova desde a abertura, em 2000. Convidaram-no a juntar-se ao projeto e este aceitou.

Os três foram a Itália e, além do tal forno, trouxeram consigo os contactos de 90% dos atuais fornecedores da casa. Vítor já conhecia muitos deles, mas evitou optar pelos mesmos produtos que se usam na mítica casa do Cais da Pedra. Explica, por exemplo, que a farinha utilizada na massa é do tipo 00, a que dá nome à pizzaria homónima, e que esta tem sempre, no mínimo, 48h de fermentação, para facilitar a digestão. Já o tomate, também ele italiano, foi escolhido após inúmeras provas. “Queríamos encontrar um que fosse o mais equilibrado possível, com pouca acidez”, conta Vítor.

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A Forneria tem 54 lugares mais 4 ao balcão. No verão a esplanada, que tem 18 lugares, vai ser ampliada. (foto: © Tiago Pais / Observador)

E por falar em provas, estas sucederam-se a bom ritmo ainda antes da abertura. Geralmente provavam a Margherita (tomate, mozzarella e manjericão), porque, dizem, é nas pizzas mais simples que se consegue perceber melhor a qualidade do produto. “Eu engordei 10 quilos”, revela Joaquim. “Eu também, mas desde que abrimos já os perdi com o stress”, contrapõe Rui. Segundo Vítor, as pizzas servidas na Forneria, seccionadas em clássicas, gourmet e calzones, misturam a tradição romana e napolitana:

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Não são tão finas como as de Roma mas também não têm as bordas grossas como as napolitanas. Os ingredientes são quase todos do Sul de Itália, mas o empasto é mais semelhante ao que se faz no Norte.”

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A Margherita (8,50€) é a mais clássica de uma lista que inclui algumas pizzas gourmet, que recorrem a ingredientes como a Trufa ou Presunto Pata Negra.
(foto: © Tiago Pais / Observador)

A carta demorou seis meses a ser feita. Além das pizzas, que também podem ser pedidas em base de massa integral, inclui os habituais antipasti, à base de queijos e enchidos DOP italianos, hambúrgueres envoltos em massa de pizza e uma secção pequena de pasta. Tudo feito por Vítor e recorrendo a produtos frescos. “O congelado não faz parte da nossa política”, dizem os responsáveis.

O que faz parte da sua política é, isso sim, a expansão da marca. “A nossa ideia é que este seja apenas o primeiro projeto de vários”, revela Joaquim. Ou seja, se tudo correr bem, nos últimos meses de 2017 nascerá outra Forneria. Já têm, inclusive, um sítio em vista, no centro de Lisboa. E fora da capital? Joaquim não descarta a hipótese. “Até porque sou de Évora e acho que uma pizzaria destas podia funcionar lá. Nunca se sabe.”

Nome: Forneria
Morada: Via do Oriente, 16E (Parque das Nações), Lisboa.
Telefone: 93 329 4274
Horário: De terça a domingo, das 12h às 15h30 e das 19h às 23h
Preço Médio: 15 a 20€ por pessoa
Reservas: Aceitam
Site: www.pizzariaforneria.pt