Modelo particularmente raro, do qual não foram construídas mais que 455 unidades, o M1 encontrado em Itália é datado de 1981 e, como tal, um dos últimos a serem fabricados. Sendo que, devido ao estado de degradação em que se encontra, caberá agora à restauradora alemã de Munique Mint Classic a sua total recuperação, para ser posteriormente leiloado.

O M1 foi o primeiro e único BMW fabricado com motor central, posicionado logo atrás dos bancos dianteiros. Embora, mais surpreendente do que isso, é toda a “novela” que esteve por detrás da sua criação!

Em 1975, motivada pelo desejo de disputar uma das competições automóveis mais difíceis à época, o chamado Grupo 5 da FIA, a BMW decidiu avançar para a construção de novo modelo. Do qual, por se tratar de um veículo concebido de base para a competição, seriam fabricadas apenas unidades em número suficiente para garantir a sua homologação. O director para a competição da BMW à altura, Jochen Neerpasch, começou por debater o assunto com a sua equipa, tendo ficado decidido, até como forma de acelerar todo o processo, já que os prazos de homologação eram curtos, celebrar uma parceria com a Lamborghini, para a construção do modelo.

Ao abrigo desta união de esforços, a marca italiana assumia a responsabilidade de fabricar os novos M1, enquanto a BMW fornecia a componente mecânica. No caso do motor, um seis cilindros em linha de 3.453 cm3, naturalmente aspirado, com seis borboletas individuais que, na versão para estrada, debitava 276 cv de potência. Já a versão de competição anunciava, também graças à introdução de um turbo, uns ainda mais impressionantes 860 cv!

Complementado por uma caixa manual de cinco velocidades e com apenas tracção traseira, o BMW M1 prometia, como prestações, na versão para o dia-a-dia, uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,6 segundos, a par de uma velocidade máxima de 260 km/h.

Reunidos os parceiros, o imprevisto acabou por surgir da parte da Lamborghini que, na altura a atravessar uma das suas piores crises financeiras, acabou por não cumprir o contrato assumido com a BMW, obrigando a marca bávara a transferir os chassis, em aço tubular, e as carroçarias, em fibra, para as instalações da sua divisão de competição, a Motorsport (M), onde os carros teriam de ser acabados. Construídos à mão, este foi um desafio que começou em 1978, tendo só terminado em 1981, com um total de apenas 455 unidades fabricadas. Contudo, apesar dos esforços da BMW, o número de carros produzidos e alterações nas regras da FIA acabaram por levar a que o M1 nunca conseguisse ser homologado para o Grupo 5.

Com um carro feito a pensar na competição entre mãos, equipado com soluções particularmente onerosas como era a suspensão independente às quatro rodas, a marca alemã decidiu criar o Procar BMW M1 Championship – campeonato que entrava em pista antes dos Fórmula 1, mas que já contava com pilotos de renome, como Mario Andretti, Emerson Fittipaldi, James Hunt, Niki Lauda, Nelson Piquet e Hans-Joachim Stuck. Aliás, Niki Lauda venceu mesmo o campeonato, em 1979, ao passo que Nelson Piquet conquistou o troféu, em 1980.