Os dois gestores afastados da administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) — Pedro Leitão e Tiago Ravara Marques — foram convidados a permanecer noutras áreas da instituição bancária, revelou, esta sexta-feira, o presidente da Caixa, Paulo Macedo.

Os senhores administradores cessaram funções há dois dias. O conselho de administração da Caixa vê a possibilidade das pessoas poderem pôr os seus conhecimentos ao serviço da Caixa noutras áreas. Mas isso é uma proposta que nada tem a ver com questões de remunerações ou da sua aceitação”, avançou Paulo Macedo.

Esta semana, o Jornal de Negócios já tinha noticiado que Pedro Leitão e Tiago Ravara Marques — os dois administradores da anterior equipa que não renunciaram ao cargo e que foram afastados da nova administração — teriam sido abordados para integrar a gestão das empresas financeiras da CGD (como a Caixa Gestão de Ativos CGD Pensões ou Caixa Banco de Investimento). Esta será uma das formas da Caixa contornar o pagamento da indemnização aos dois gestores que poderá atingir os dois milhões de euros (um milhão para cada um). Da equipa de António Domingues ficou apenas Tudela Martins. “Foi entendido que fazia sentido termos uma pessoa com um perfil da área de risco”, explicou Macedo.

Paulo Macedo confirmou também aos jornalistas que endereçou um convite a Carlos Albuquerque, diretor do departamento de supervisão do Banco de Portugal, para se juntar à nova equipa de gestão da CGD. O novo presidente falava margem de uma visita à CGD nas Amoreiras, em Lisboa. Carlos Albuquerque irá integrar a equipa como administrador executivo, mas primeiro terá de respeitar um período de cool-off (arrefecimento ou período de nojo) definido pelo Mecanismo Único de Supervisão por causa das responsabilidades que assumiu no supervisor. O seu nome e dos administradores não executivos que faltam, terão também de passar na avaliação do Banco Central Europeu.

Segundo o Jornal Público, Carlos Albuquerque irá assumir a ligação ao Banco Central Europeu. O jornal avança ainda os nomes dos administradores não executivos onde haverá duas mulheres, Maria dos Anjos Capote, antiga secretária de Estado socialista e quadro da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, e Ana Maria Fernandes, que foi administradora da EDP e presidente da EDP Renováveis. O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Amaral Tomás, e José Azevedo Rodrigues, da Ordem dos Oficiais de Contas, são outros nomes para administradores não executivos.

Sobre os passos futuros do banco público, o ex-ministro da Saúde garantiu que irá “cumprir com o plano” acordado com Bruxelas, em termos de reestruturação e de capitalização da Caixa. É “um plano de capitalização que vai permitir à Caixa ser mais sustentável, mais sólida e ficar com melhores rácios de capital”.

Parece-me um plano robusto. Estamos confiantes que é um bom plano para a Caixa”, afirmou Paulo Macedo.

A esse plano, será necessário juntar, acrescentou Macedo, “uma parte de dinâmica de servir melhor os clientes”. Quanto à rescisão de contratos com mais de 2.000 trabalhadores da instituição, Paulo Macedo lembra que chegou há dois dias à Caixa e limitou-se a referir que “essa parte é a que está no plano” e que haverá “que cumprir com o que está estabelecido”. Até porque “não faz sentido que as sucessivas administrações estejam sempre a alterar o compromisso do Estado português”.

Paulo Macedo insistiu ainda na necessidade de tornar a Caixa “sustentável, sólida e rentável”, lembrando que está previsto uma inversão de resultados na atividade normal, e frisou que “o maior compromisso da Caixa é para com os seus depositantes”.

A boa notícia é que “os clientes não deixaram a Caixa”. “Os clientes estão na Caixa. A Caixa mantém a sua liderança e com a certeza de querer consolidá-la no futuro.”