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O ministro das Finanças disse esta manhã que as organizações internacionais falharam nas suas previsões, e acusou as mesmas de, durante o ano passado, não terem feito a análise das políticas do governo com base no conhecimento cientifico e na informação disponível como lhes “compete”.

No discurso de abertura da apresentação do relatório económico sobre Portugal, que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) veio apresentar a Lisboa, e com o secretário-geral da OCDE a seu lado, Mário Centeno reclamou as vitória do Governo, mas também fazendo um contraponto com o que previam as organizações internacionais.

Às instituições internacionais compete analisar as políticas do Governo com base no conhecimento científico acumulado e na utilização adequada da informação disponível. Mas, diz Mário Centeno, “nem sempre foi esse o caso ao longo do ano passado”. “Todas as instituições internacionais falharam nas suas previsões. Mas o seu erro não foram as previsões. Foi não compreenderem a essência da política económica do Governo. Foi não respeitar o esforço das empresas e dos trabalhadores portugueses”, disse o ministro das Finanças, utilizando como argumento a meta do défice que o Governo garante ter sido inferior a 2,3%.

O ministro das Finanças avançou ainda que o saldo primário, ou seja excluindo os encargos com a dívida pública, terá sido superior a 2% do PIB, para logo de seguida dizer que é “estéril” fazer contas a como seria o défice sem as medidas do Governo, numa alusão às palavras de Pedro Passos Coelho, líder do PSD, que no Parlamento questionou quanto seria o défice sem medidas extraordinárias, um número que o Governo não deu.

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“O que seria o défice sem as medidas do Governo, o que seria o défice com as outras medidas. Este é um exercício estéril, apenas adequado a quem, com défice de aritmética, procura défices que não existem”, disse.

Com Angel Gurría ao lado, Mário Centeno não deixou de fazer um reparo à organização. No relatório hoje dá a conhecer, a organização diz que o desemprego deverá continuar acima de 10% pelo menos até 2018 e que este não desce mais rapidamente porque a economia está a crescer pouco, mas também devido ao aumento decretado pelo Governo do salário mínimo.

O ministro das Finanças não concorda com as previsões e disse no discurso que não só espera que o desemprego caia abaixo dos 10% muito em breve, mas também que nessa altura certamente espera que a OCDE se corrija e que fique feliz com isso.

“Baixaremos do limiar dos dois dígitos. Se o fizer teremos de pedir desculpa ao secretário geral Gurría: o relatório prevê que tal não aconteça. Mas tenho a certeza que, assim que isso acontecer, a equipa da OCDE ficará genuinamente satisfeita.