Qualidade de Vida

Esperança média de vida perto dos 90 anos em mais de 35 países

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A esperança média de vida deverá chegar aos 90 anos em vários países desenvolvidos, incluindo Portugal. E isso pode trazer problemas.

As mulheres ainda vivem mais que os homens mas essa diferença está a dissipar-se

Portugal está entre os cinco países na Europa onde a esperança média de vida para as mulheres em 2030 poderá chegar perto dos 90 anos — 87,5 mais especificamente. As portugueses estão em quarto lugar, atrás apenas de França (88,6), Espanha (88,1) e Suíça (87,7), um pódio a cinco completado pela Eslovénia (87,4). De acordo com as últimas avaliações, os portugueses já estavam a viver uma média de 81,1 anos.

Estes números são o resultado de um dos mais minuciosos estudos conduzidos sobre a esperança média de vida em 35 países desenvolvidos — de médio a alto rendimento médio — e vêm provar o que, até ao meio do século passado, poucos consideravam: que a esperança média de vida poderia vir a ultrapassar os 90 anos. “Ouvimos repetidamente que os avanços na longevidade humana estão a atingir um limite. Muita gente acreditava que os 90 anos marcavam o limite máximo para a esperança média de vida mas este estudo sugere que vamos quebrar essa barreira. Não creio que estejamos sequer perto de atingir qualquer limite — isto se existir um”, disse, numa nota para a imprensa, Majid Ezzati, o investigador que liderou o estudo conduzido pelo Imperial College de Londres.

A Coreia do Sul aparece como o país com maior esperança média de vida em 2030. Uma menina nascida nesse ano pode esperar viver para lá dos 90 anos (90,8) e um rapaz até aos 84 (84,1). O professor Ezzati explicou os bons resultados do país com os bons hábitos alimentares das crianças, pressão sanguínea abaixo da média, uma taxa de fumadores relativamente baixa e bom acesso à saúde e às novas tecnologias disponíveis nesta área.

Na Europa, são as mulheres francesas e os homens suíços que podem esperar viver mais tempo, com um média de 88,6 e 84 anos, respetivamente. Os cinco países com esperanças médias de vida mais longas são a Coreia do Sul (84,1), Austrália (84), Suíça (84), Canadá (83,9) e Holanda (83,7). Quanto aos resultados no sexo feminino, a ordem é a seguinte: Coreia do Sul (90,8), França (88,6), Japão (88,4), Espanha (88,1) e Suíça (87,7).

Surpreendente, mas pela negativa, é o resultado que o estudo apresenta para os Estados Unidos da América que regista o número mais baixo de todos os países desenvolvidos: à nascença, uma mulher norte-americana pode esperar viver um pouco para lá dos 79 anos (79.5) e um homem cerca de de 83 (83.3).

Estes números estão em linha com os de outros países com ordenados médios consideravelmente mais baixos dos que os auferidos pela maioria dos norte-americanos como o México ou a Croácia. Os investigadores atribuem a culpa a um conjunto de fatores como os fracos hábitos alimentares, o sistema de saúde pública que não oferece cobertura universal ou a elevada taxa de homicídios. Japão, Suécia, Grécia são mais três exemplos de países desenvolvidos que ficaram àquem das expectativas. Macedónia e Sérvia são, de todos os países estudados, aqueles onde se espera o crescimento menos acentuado na esperança média de vida.

Interessante também é verificar que as disparidades entre a esperança média e vida prevista para mulheres e mulheres estão a dissolver-se. O professor Ezzati explica: “Tradicionalmente os homens tinham um estilo de vida menos saudável: fumavam e bebiam mais, tinham mais acidentes de carro, e também eram alvo de mais homicídios. Os estilos de vida aproximaram-se, e a esperança média de vida também”.

Segundo os investigadores, os resultados sugerem que é preciso pensar “seriamente” sobre as necessidades da população mais velha. “O facto de vivermos cada vez mais significa que precisamos de fortalecer os nossos sistemas de saúde e de apoio social de forma a que possam ajudar esta faixa da população que, necessariamente, necessitará de mais assistência. Isto é o oposto daquilo que está a ser feito na era da austeridade. Precisamos também de considerar se os sistemas de pensões atualmente em vigor nos vão servir na velhice ou se precisamos de trabalhar até mais tarde”, adverte ainda o professor.

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