O CDS exige a Fernando Medina que alargue imediatamente a toda a cidade a circulação a motociclos e ciclomotores nas vias reservadas a transportes. As motos já são permitidas em corredores de BUS em três zonas da cidade, como projeto-piloto desde março de 2016. Os centristas denunciam que esta experiência, que deveria durar seis meses, já dura há um ano.

O CDS quer que o presidente da autarquia, Fernando Medina, aprove definitivamente o uso dos corredores de BUS por parte dos motociclistas e vai apresentar uma moção nesse sentido na reunião de câmara desta quinta-feira. O documento, a que o Observador teve acesso, pede assim a “abertura imediata da circulação de motociclos e ciclomotores nas vias reservadas à circulação de transportes públicos — corredores BUS — e alargamento do seu âmbito a toda a cidade.”

O vereador do CDS na câmara de Lisboa, João Gonçalves Pereira, que é também motard, não compreende a razão do adiamento da entrada em vigor da medida em toda a cidade, uma vez que o projeto-piloto tem demonstrado que “não há qualquer problema.” João Gonçalves Pereira considera que o arrastar desta situação demonstra que “os motociclistas são os parentes pobres da mobilidade em Lisboa“, alertando que, o que está em causa “é a segurança dos que circulam em Lisboa”. Para o centrista, Fernando Medina “está mais preocupado com obras de cosmética” do que com “a segurança das pessoas“.

O Observador contactou o gabinete de Fernando Medina, mas não obteve resposta até à hora de publicação deste artigo.

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O presidente da Federação de Motociclismo de Portugal, Manuel Marinheiro, não critica a autarquia, mas faz “um apelo para que aprove o mais depressa possível esta medida e a alargue a toda a cidade, porque é uma questão de segurança para os motociclistas e todos os que circulam em Lisboa”. Manuel Marinheiro destaca que “no Porto a medida já foi aprovada e está a resultar” e que em Lisboa “falta o mais difícil, que é finalizar”.

Tudo começou a 11 de Fevereiro de 2015 quando o CDS apresentou uma proposta (intitulada “aprovar a abertura da circulação de motociclos e ciclomotores nas vias reservadas à circulação de transportes públicos – “Corredores BUS”) que foi aprovada por unanimidade. Esta proposta, explica o vereador do CDS, “deliberou atribuir aos serviços da Direção Municipal de Mobilidade e Transportes a incumbência de elaborar, no prazo de seis meses, um estudo sobre a viabilidade da abertura da circulação de motociclos e ciclomotores nas vias reservadas à circulação de transportes públicos, delimitado, numa fase experimental, a uma determinada zona da cidade a escolher pelos serviços.”

A 26 de março seria aprovada, também por unanimidade, a proposta “Corredores BUS” – Projecto-piloto BUS&MOTO”. Ou seja: o projeto-piloto, que, no entender do CDS, não altera o prazo inicial de seis meses. Nos últimos doze meses, recorda a moção dos centristas, tem decorrido o período “experimental nas três zonas piloto da Avenida Calouste Gulbenkian, da Avenida de Berna, entre a Praça de Espanha e o Largo Azeredo Perdigão e na Rua Braamcamp, entre a Rua Rodrigo da Fonseca e a Rua Duque de Palmela, com os óbvios resultados favoráveis preconizados pelo CDS-PP.” A moção do CDS exige assim que seja aprovada pretende declarar “inadiável” a aprovação e alargamento a toda a cidade.