Que não se peça a um o que ao outro se pede. Se Almeida é um faz-tudo – lateral à direita e à esquerda, médio defensivo ou mais de transição –, Mitroglou é um fazedor de golos.

Só esta temporada, o grego já chegou aos vinte e cinco e igualou o melhor registo goleador de sempre, curiosamente o da época passada – e ainda falta muito para jogar nesta até ao final. Quanto a André Almeida, também igualou esta noite a sua melhor temporada no que a golos diz respeito: dois. Então na II Liga, corria a temporada de 2010/11 e Almeida vestia a camisola dos que hoje defrontou, o Belenenses. Na época seguinte, emprestado pelo Benfica à União de Leiria, faria a 6 de setembro de 2011 o seu primeiro e derradeiro golo no campeonato, diante do FC Porto. De lá até cá, nem mais um. Até esta segunda-feira, na Luz.

Ficha de jogo

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Benfica-Belenenses, 4-0

25.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Bruno Esteves (Setúbal)

Benfica: Ederson; André Almeida, Luisão, Lindelöf, Eliseu; Samaris, Pizzi (André Horta, 85′); Salvio (Rafa, 78′), Zivkovic (Carrillo, 67′); Jonas e Mitroglou

Treinador: Rui Vitória

Suplentes não utilizados: Júlio César, Jardel, Cervi e Raúl Jiménez

Belenenses: Cristiano; João Diogo, Domingos Duarte, Gonçalo Silva, Florent; Ahman-Persson, Vítor Gomes, André Sousa (Juanto, 76′); Abel Camará (Fábio Nunes, 67′), Miguel Rosa (Bernardo Dias, 86′) e Maurides

Treinador: Quim Machado

Suplentes não utilizados: Filipe Mendes, Edgar Ié, Mica Pinto e Tiago Caeiro

Golos: André Almeida (12′), Mitroglou (52′), Salvio (60′) e Jonas (90+1′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Carrillo (71′), Luisão (84′) e João Diogo (89′)

E o golo de André Almeida, aos 12′, é mesmo o que de melhor há para contar de uma primeira parte maçadora, onde o Benfica chegou ao golo na primeira e única ocasião de que dispôs, enquanto dos visitantes não há uma nem para o registo.

O que pesa mais: o disparate ou o aproveitamento do disparate? Pizzi desmarca André Almeida na direita, um passe longuíssimo e para as costas da defesa do Belenenses, a bola caiu dentro da área, o ex-Benfica Miguel Rosa aparentava tê-la controlada, mas o que este fez foi amortecer a bola para o guarda-redes Cristiano, um amortecimento que foi sobretudo um “passe” para André Almeida. O lateral benfiquista surgiu nas costas de Rosa, ultrapassou-o pela esquerda sem sequer ligar o pisca, e rematou em seguida (com a bola mesmo à mercê, redondinha) para o primeiro golo da noite na Luz. Cinco anos e meio depois, André voltou a fazer o que não sabe fazer melhor.

Se é verdade que do Belenenses nem sinal se viu no primeiro tempo, é também verdade que no recomeço tudo foi diferente e os do Restelo até ameaçaram o golo (fora o controlo do jogo, que foi deles nos minutos iniciais) e de que maneira o fizeram. Pliiiiim! Ao poste. Miguel Rosa arrancou, vindo da esquerda, meio-campo fora, tabelou com Maurides à entrada da área e, quando o brasileiro lhe devolveu o passe, Rosa rematou, colocado, forte, mas acertou onde menos quereria: no poste esquerdo do Benfica. Ederson estava batido. Isto quando se contavam 51′.

Contra-atacaria no minuto seguinte o Benfica. Jonas e Salvio conduziram o dito contra-ataque, tabelaram, Salvio ficaria à direita com a bola, Jonas pedia-a na área, esbracejava a pedi-la, mas as tabelas ficaram-se pela primeira. Salvio cruzou recuado e para a entrada da área, Mitroglou ajeitou a bola na canhota e o remate, colocadíssimo, só parou no canto superior esquerdo da baliza de Cristiano. Se é verdade que dorme lá uma coruja, assarapantou-se por certo.

Há cinco jogos consecutivos do Benfica na Luz que o grego “molha a sopa”. Quanto à sua contagem diante do adversário desta noite, quatro jogos, sete golos. É o “cliente” favorito de Mitroglou, está visto.

O Belenenses, depois de quase ter chegado ao golo, sentiu um autêntico soco no estômago. E de cada vez que o Benfica acelerava, o golo ficava mais e mais perto. Até que chegou mesmo, à hora de jogo. Eliseu bateu rapidamente um livre a meio-campo, o Belenenses “adormeceu”, Zivkovic conduziu a bola pela esquerda até à área dos visitantes, todos o viram a chegar, ninguém dele se aproximou um palmo que fosse, o sérvio deixou a bola à entrada da área em Salvio, que depois de a ajeitar, rematou-a na direção do poste direito de Cristiano, um remate a meia altura e com a bola a tocar ainda no relvado (traindo assim o guarda-redes) antes de entrar. Desde outro derby, esse diante do Sporting e em dezembro, que Salvio não sabia o que era isto de fazer golos.

Até final, o Belenenses ainda tentou o menor dos males: o golinho da ordem. O corte de André Almeida aos 86′ evitou-o in extremis. Domingos Duarte, que até é central, subiu pelo meio-campo e, num passe rasteiro e para as costas da defesa do Benfica, desmarcou Vítor Gomes, Lindelof tombou, Vítor seguiu para a área e, à saída de Ederson dos postes, picar-lhe-ia a bola por cima. Não entrou. Mas a bola, caprichosa, seguiu para o poste contrário, o esquerdo, onde Bernardo Dias se preparava para desviar lá para dentro. André Almeida foi mais veloz, entrou de sola, arriscou o penalty, mas conseguiria mesmo um corte. E que corte foi.

14

Mitroglou encontrou a vítima preferida em Portugal (o Belenenses) e não perdeu a oportunidade para voltar a fazer o gosto ao pé. Ao todo, o avançado grego já leva 14 golos no campeonato, menos um do que André Silva e a dois de Soares. Bas Dost lidera a tabela dos melhores marcadores com 22 golos

Tal como no segundo golo, não reduziu o Belenenses, alargaria a contagem o Benfica pouco depois, aos 91′. Tudo simples: Samaris (que jogatana fez o médio frente ao Belenenses) dribla Persson a meio-campo, desmarca em seguida o outro grego do Benfica, Mitroglou, na esquerda, este cruza de primeira para a área e Jonas, depois de amortecer a bola, pica-a por cima de Cristiano à saída do guarda-redes do Belenenses.

O jogo terminaria pouco depois e o Benfica retornou ao primeiro lugar que perdeu na sexta-feira.