Se há cerca de uma semana a notícia era que Ben Affleck tinha anunciado a sua reabilitação do alcoolismo, agora surge o volteface: o ator sofreu uma recaída.

Esta foi a segunda vez que Ben Affleck se submeteu a um tratamento contra o vício. Terça-feira passada anunciou que tinha dado “o primeiro de muitos passos para uma recuperação positiva”. Mas durou pouco. A tentação fez regredir tudo ao ponto de partida.

Ainda que possa parecer um fracasso esta ter sido a segunda reabilitação do ator (a primeira foi em 2001), a verdade é que as recaídas são algo bem comum em quem realiza tratamentos contra o vício do álcool, conta o El Español. Cerca de 20 a 30% dos pacientes volta ao vício, o que leva a querer que existe uma certa predisposição para sofrer da adição. Segundo um estudo, esta predisposição estima-se ser 50% de origem genética.

Uma vez que as recaídas são algo comum nas pessoas que são aditas a algum tipo de droga, existem fatores a ter em conta.

A maioria do alcoólicos sofrem de recaídas

Segundo a revisão de um estudo publicado em 2001 no Journal of Studies on Alcohol & Drugs, durante o primeiro ano de reabilitação apenas 25% dos pacientes conseguiram abster-se de forma continuada do álcool.

O estudo mostra também que não existem apenas dois tipos de viciados: os que se conseguem abster e os que sofrem de recaídas. Há muitos pontos intermédios pelo meio do processo. O mais vulgar é que existam progressos substanciais, com uma recuperação progressiva.

Mais tempo sem beber, menos hipótese de recaída

Na maioria dos vícios, em especial o do álcool, conseguiu-se chegar à conclusão de que quanto mais tempo a pessoa estiver sóbria, menos probabilidade tem de sofrer uma recaída. Durante os primeiros anos, 40% dos pacientes têm recaídas no álcool. Porém, se passar, por exemplo, cinco anos sem beber, é provável que já não sofra de nenhum retrocesso.

Os sinais de recaída – do stress aos anúncios

Alguns estudos recentes sugerem que as áreas do cérebro envolvidas no caso do stress e da ansiedade sobrepõe-se às áreas responsáveis pelos efeitos de ‘recompensa’ do uso de drogas. Ou seja, para os pacientes que sofreram de algum tipo de vício a longo prazo, este tipo de mudanças no cérebro aumenta a sua resposta ao stress e, por isso, aumenta também a facilidade de uma recaída.

Mas existem outros sinais que despertam a atenção deste tipo de pessoas, como é o caso dos anúncios a bebidas alcoólicas; a pressão social de quando se vai a um bar; ou estar perto de outras pessoas que estejam a beber.

A atividade cerebral do paciente pode antever uma recaída

A atividade cerebral varia entre uma pessoa sóbria, um alcoólico e um alcoólico que está prestes a sofrer de uma recaída, diz um estudo de 2013. Segundo os dados apresentados, as pessoas que sofrem de alcoolismo mostram níveis mais elevados da atividade do córtex pré-frontal.

Isto significa que durante os primeiros três meses de reabilitação existem oito vezes mais probabilidades de se sofrer de uma recaída, comparativamente com as pessoas sóbrias, que usam de forma ‘normal’ esta zona do cérebro. Os investigadores que lideraram o estudo afirmam também que, neste zona do cérebro, existe uma relação com a regulação das emoções e supressão dos impulsos. O alcoolismo crónico pode produzir alterações nesta área, afetando a regulação e, como consequência, impulsionar uma recaída.

A recaída não é um fracasso

As recaídas não devem ser vistas como um fracasso. Sendo o alcoolismo uma doença crónica (tal como outra adição a drogas), é muito possível sofrer-se de uma recaída. A recaída deve ser vista como um novo início ou até mesmo como um ‘ajuste’ da doença. A recaída pode também significar que se tem que fazer um ajuste no tipo de tratamento.