O MPLA, partido maioritário, minimizou esta quinta-feira o protesto apresentado pela UNITA à Assembleia Nacional, pela utilização dos órgãos estatais de comunicação na sua pré-campanha, que classificou como “acusações melodramáticas”.

A posição foi apresentada pelo primeiro vice-presidente da bancada parlamentar do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Pedro Sebastião, na discussão e votação do Voto de Protesto do grupo Parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), apresentado na última sessão plenária.

No seu protesto, o líder da bancada parlamentar da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, contestou o “atentado à transparência das eleições” de agosto, aludindo ao tratamento dados pelos órgãos de comunicação social dado à campanha de apresentação do cabeça de lista do MPLA nas eleições gerais deste ano.

Pedro Sebastião disse que as “acusações melodramáticas” do maior partido da oposição angolana, não são novidade, porque “enquadram-se perfeitamente na retórica e na estratégia adotada por esse partido desde as eleições de 1992”, as primeiras realizadas em Angola. Para o deputado, o protesto da UNITA “demonstra que o maior partido da oposição está em pânico, com a inevitabilidade de mais uma derrota eleitoral”.

“Trata-se de, por um lado, manter o país sob clima de permanente tensão, tentando certamente atrair o voto do medo e, por outro, antecipar e justificar desde já, e, em especial, a sua clientela interna, a sua derrota nas próximas eleições, como sucedeu em 1992, 2008 e 2012”, referiu.

Disse ainda que nestas eleições o povo angolano não se vai “amedrontar” e que em agosto “dará a resposta certa”. Na sua intervenção, Adalberto da Costa Júnior reiterou que “o voto de protesto foi um alerta”, porque “estava e está alinhado com a vontade coletiva da maioria dos angolanos”, de haver “finalmente” em Angola “eleições livres, justas e transparentes”.

Adalberto da Costa Júnior referiu que se o protesto feito não tivesse importância, “não teria havido uma mudança de postura da transmissão da TPA [Televisão Pública de Angola] do comício do Bié, não o fez, só o fez a Zimbo [canal de televisão privado], por que é que mudou”, questionou. “Significa que a nossa chamada de atenção foi extremamente importante, fez refletir algumas poucas consciências, poucas, porque a demonstração do que aqui está a ser dito, tristes discursos, eu próprio não acredito que os seus autores acreditem nos seus discursos”, disse.

No seu protesto, a UNITA referia que os órgãos de comunicação social públicos, e não só, foram colocadas ao serviço da campanha, “a expensas do erário público”. A UNITA criticou as emissões em direto por órgãos de comunicação social públicos, por cerca de quatro dias consecutivos, a pré-campanha do MPLA, considerando que foram “escandalosamente excessivos e violadores das leis que proíbem tais ofertas de antena”. Para a UNITA, “há uma clara intenção de condicionamento do cidadão e do potencial eleitor” e também “abusiva mistura da função ministerial com a de candidato”.