Luanda

Confederação sindical angolana explica greve em abril com “saturação” dos professores

A Central Geral de Sindicatos Livres e Independentes de Angola classificou esta segunda-feira como legítima a greve convocada pelos professores de Luanda.

O ano letivo de 2017 em Angola arrancou oficialmente a 1 de fevereiro

PAULO CUNHA/LUSA

A Central Geral de Sindicatos Livres e Independentes de Angola (CGSILA) classificou esta segunda-feira como legítima a greve convocada pelos professores de Luanda, por considerar que a falta de resposta às reivindicações dos docentes chegou a um “ponto de saturação”.

A posição foi manifestada à Lusa pelo secretário-geral da CGSILA, Francisco Jacinto, que aponta a disparidade salarial entre professores em Luanda e no restante país, falando em “atropelos à lei”, como o não pagamento por parte do Estado do subsídio de chefia aos professores.

“As razões sempre existem e em função desta realidade as coisas depois chegam a um ponto de saturação, e sobretudo na classe de professores sabe-se que o processo de reconversão não teve fim. Consideramos que a reclamação é legítima e estamos solidários com os professores”, disse.

Os professores de Luanda convocaram uma greve de três dias às aulas na província, entre 05 e 07 de abril, como forma de protesto contra a falta de resposta, desde 2013, às várias reivindicações, entre as quais o aumento salarial. A paralisação, decidida após várias semanas de negociações com o Governo angolano, deverá ser alargada a outras províncias do país.

De acordo com Francisco Jacinto, continua a “reinar” no seio da classe alguma “disparidade salarial” para professores da mesma categoria e nível de formação académica. “São essas situações que preocupam a classe docente, sem excluir a questão ligada aos subsídios de chefia que está legislado mas não está implementado”, realçou.

Em declarações à Lusa o secretário provincial do Sindicato de Professores Angolanos (Sinprof), em Luanda, Fernando Laureano, fez saber que a greve será “interpolada”. Depois de abril, “a segunda fase acontece no mês de maio e a terceira fase da greve no mês de junho”, explicou.

O Sinprof diz aguardar desde 2013 por respostas do Ministério da Educação e das direções provinciais de Educação ao caderno reivindicativo, nomeadamente sobre o aumento do salário, a promoção de categoria e a redução da carga horária, mas “nem sequer 10% das reclamações foram atendidas”.

A CGSILA manifesta solidariedade para com os professores, considerando que o trabalhador angolano é um “cidadão pacato”, tendo a greve como último recurso. “É um cidadão compreensível e que aceita todas as vicissitudes da sua vida desde a situação social a económica”, observou.

O ano letivo de 2017 em Angola arrancou oficialmente a 1 de fevereiro, com quase 10 milhões de alunos nos vários níveis de ensino, decorrendo as aulas até 15 de dezembro.

A direção provincial de Educação de Luanda considerou, no princípio do mês, em declarações à Lusa, que as preocupações dos professores em Luanda eram “residuais” e que não havia motivos “que bastem” para que os professores paralisassem com as aulas.

Para Luanda, no presente ano letivo, foi anunciada a contratação este ano de mil novos professores. Nesta província, o Sinprof refere contar com 16.534 filiados, num universo de 28.000 professores.

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