Este Abril não será o mais cruel dos meses, como escreveu T.S Eliot. Pelo menos para aqueles que gostam de poesia. Não há muitos meses assim no tempo literário português, portanto comecemos por celebrar a iniciativa da Antígona de editar a obra completa e definitiva do poeta António José Forte. Uma Faca Nos Dentes não é uma reedição do livro lançado em 2003 pela Parceria A. M. Pereira. É sim uma edição nova com trabalhos inéditos do poeta que fez parte do café Gelo e morreu em 1988, deixando uma breve mas notável obra poética que ganha força a cada ano que passa. Uma edição urgente de um autor insurgente.

Continuando pelo Surrealismo a E-Primatur inicia este mês a edição da obra completa do poeta Mário Henrique Leiria. A Assírio & Alvim lança uma nova edição com inéditos de Alexandre O’Neill. Já a Alambique traz-nos novo livro de António Barahona, 78 anos, um dos últimos testemunhos vivos dos dias do Café Gelo mas também da Poesia Concreta Portuguesa e um dos mais singulares cantores da lírica portuguesa atual. Um Som Por Si Só segue o rasto musical de Ocarina, publicado pela Averno no final de 2016. Os dois livros são, respetivamente, o Terceiro e o Quarto Tomo do projeto a que o poeta se tem dedicado nos últimos anos intitulado O Sentido da Vida É Só Cantar.

António José Forte, o poeta da desobediência terá obra completa editada na Antígona

Ainda no campo dos veteranos a Não Edições edita novo livro de Helder Moura Pereira, Não há nada para fazer em Elephant & Castle, a Averno dá à estampa A Céu Aberto de Paulo da Costa Domingos,
com desenhos de Pedro Calapez.

A Língua Morta propõe três poetas para três projetos editoriais muito diferentes: Canícula, que confirma Daniel Jonas como o melhor poeta português da sua geração. Reedita Lacre. Uma antologia de poesia estrangeira vertidas para português pelo poeta Vasco Gato. Debaixo deste Lacre estão nomes como Alexandra Pizarnick, Allen Ginsberg, Anne Sexton,Lorca, Ingeborg Bachman, Leonard Cohen, Mark Strand, Lezama Lima, entre muitos outros.

Lacre- poemas traduzidos por Vasco Gato para a Língua Morta. 10 euros

Tão Bela Como Qualquer Rapaz é o quarto livro de Andreia Faria, uma voz dissonante do que vem sido feito pelas novas poetas portuguesas nos últimos anos. Dissonante e provocadora é também Madalena Castro Campos (pseudónimo) no seu segundo livro La Mariée Mise à Nú, publicado pela Companhia da Ilhas. Tardio de Rosa Oliveira é a nova aposta da coleção de poesia da Tinta da China.

A Douda Correria de Nuno Moura lança dois poetas brasileiros. Diego Moraes com Dentro do Meu Peito Você Pode Cultivar a Solidão o Ano Inteiro e Ricardo Domeneck em Manual para melodrama.

Na poesia traduzida o destaque vai para o livro Sombras e Falésias de (mais um) grande poeta romeno Dinu Flamand. Recorde-se que Paul Celan, também era originário da Roménia e Flamand bebe claramente da mesma tradição. O poeta estreou-se em Portugal no ano 2007, pela mão da Jorge Reis-Sá nas Quasi edições regressa agora pela Guerra&Paz.

Recorde-se ainda que, no primeiro trimestre deste ano, saíram por cá edições de poetas tão importantes como Lawrence Ferlinghetti, o último sobrevivente da Beat Generation, A Poesia Como Arte Insurgente (Relógio D’Água) ou A Rosa Do Povo de Carlos Drummond de Andrade (Companhia das Letras). Foi publicado pela Não Edições o livro Amores-perfeitos / Pansies (vol. II), uma seleção e tradução de poemas de D. H. Lawrence. Já a IN_CM, que em 2016 reabilitou a coleção de poesia iniciada por Vasco Graça Moura, coligiu a poesia completa de Vasco Gato num volume intitulado Contra Mim Falo. O mais recente trabalho de Luís Quintais, Noite Imóvel, saiu em Março, pela Assirio & Alvim.

Em Abril também há novos números de duas revistas de poesia: a Flanzine, cujo tema é o Ódio e o terceiro número de Cidade Nua, um projeto da CTL-Cultural Trend Lisbon , dirigido por Alexandre Cortez (ex- Rádio Macau) e Nuno Miguel Guedes.

A revista Cidade Nua ée bimensal e está à venda em várias pequenas livrarias de Lisboa e Porto. Preço: 5 euros