A aliança opositora venezuelana Mesa de Unidade Democrática disse no sábado que, apesar de ter podido marchar de forma pacífica até à sede do Episcopado de Caracas, os protestos vão continuar até ser revertido o “golpe” do Supremo Tribunal.

“É importante que se entenda que apesar de ter sido uma conquista chegar ao município Libertador a tarefa não foi concluída a 100%”, disse o autarca da oposição do município de El Hatillo, David Smolansky, numa conferência de imprensa.

O dirigente recordou que “continua a haver pessoas detidas, continua a haver suspensão de eleições, continua a existir uma crise humanitária e continua a desconhecer-se a Assembleia Nacional com este golpe de Estado”.

“Esta luta continua, esta luta é firme, com coragem e resistência”, disse.

Smolansky disse que hoje, dia de pausa dos protestos, a população será informada acerca da manifestação de segunda-feira, apelidada de “plantão nacional”.

O autarca salientou também que a marcha de sábado, em que participaram milhares de pessoas, aconteceu sem incidentes, e indicou que isso demonstra que as manifestações convocadas pela oposição são pacíficas.

“Fica demonstrado mais uma vez que a violência veio da parte de Nicolás Maduro (Presidente de Venezuela), que a violência vem destes grupos paramilitares, que conhecemos como coletivos armados, que a violência surgiu quando se deu ordem para chegar”, afirmou.

O protesto foi apelidado de “marcha silenciosa” em honra das pessoas que morreram nas manifestações antigovernamentais ao longo das últimas três semanas.

Apenas um grupo de venezuelanos que tentou caminhar na autoestrada Francisco Fajardo — a principal via rápida de Caracas — foi repelido com gás lacrimogéneo, sem se registarem feridos.

No entanto, no final da marcha, grupos encapuzados fecharam uma rua no leste da cidade, com barricadas de lixo e chamas e, ao serem repelidos com gás lacrimogéneo, responderam com pedras.

Quase todos os protestos das últimas semanas foram reprimidos pelas forças de segurança, que lançaram gás lacrimogéneo e tiros, e em muitos casos terminaram com confrontos entre manifestantes e polícia.

Nestes protestos morreram 22 pessoas, 12 delas na noite de quinta-feira, em que ocorreram saques a espaços comerciais no bairro de El Valle, oeste de Caracas, além de centenas de feridos e mais de 500 detidos, segundo a organização não-governamental Foro Penal Venezuelano.