Numa altura em que se comemoram 100 anos sobre a heróica expedição de um dos principais exploradores polares, o britânico Sir Ernest Henry Shackleton, um dos seus bisnetos, Patrick Bergel, decidiu recriar a famosa travessia da Antártida de 1914-1916. Embora, desta feita, sobre quatro rodas, ao volante de um Hyundai Santa Fe 2.2 CRDi de série! “Foi uma jornada incrível”, comentou o bisneto de Shackleton, no final da travessia (que decorreu em Dezembro último).

Foi uma verdadeira expedição com o objectivo de conseguir o que ninguém tinha feito até então. Tudo se baseou em resistência e não na velocidade – viajamos em média a 27km/h – e o sucesso residiu na forma como nós e o Santa Fe lidámos com isso. Estou reticente em fazer comparações entre o que o meu bisavô̂ fez e o que nós fizemos. Mas é realmente significativo termos sido os primeiros a fazê-lo num veículo com rodas.”

O desafio, que levou Bergel a enfrentar uma das zonas mais gélidas do planeta, cumprindo, ao longo de uma viagem de 30 dias, cerca de 5.800 km sobre gelo, em condições particularmente difíceis, ficou registado em vídeo. Como prova não somente das condições climatéricas quase impossíveis, mas também da capacidade de homem e máquina enfrentarem uma das regiões mais inóspitas do planeta, percorrendo grandes distâncias, sob temperaturas de até menos 28 graus Celsius.

No caso do Hyundai Santa Fe 2.2 CRDi, destaque para o facto de se tratar um veículo praticamente de fábrica, cujas únicas alterações resultaram da necessidade de montar pneus gigantes de baixa pressão para enfrentar o gelo e a neve; de instalar um depósito de combustível de maiores dimensões; e de colocar o veículo a funcionar com combustível Jet A-1 – o único disponível na Antártida. Sendo que, para comodidade do ocupante, foi também instalado um pré-aquecimento para o frio.

“Foi um Santa Fe praticamente normal”, garantiu Gisli Jónsson, da empresa Arctic Trucks, responsável pela preparação dos veículos antes do evento e por conduzir a expedição. Explicando que, “o motor e o seu mapeamento, a transmissão, diferencial frontal e o veio de transmissão permaneceram iguais”. Já quanto aos grandes pneus de baixa pressão, a explicação é simples:

Queríamos que o Santa Fe circulasse por cima da neve e não por entre ela. Circulávamos com um décimo da pressão de um pneu normal – tão macio que era possível passar por cima da mão de alguém sem magoar a pessoa. As marcas deixadas pelo Santa Fe eram tão leves que quando regressámos já não estavam lá!”

Ao realizar à ligação entre o glaciar de Union Camp e a estação de pesquisa norte-americana McMurdo, o Santa Fe tornou-se assim no primeiro veículo de passageiros a conseguir fazer esta travessia, em apenas 30 dias. Com Jónsson, um dos condutores com mais experiência na Antártida, a recordar que, “qualquer pessoa com bastante experiência na Antártida sabe o que esta faz às máquinas: basicamente, tudo se desintegra”. E, para que não restem dúvidas, acrescenta: “Até as maiores máquinas racham e partem. Esta foi a primeira vez que a travessia integral foi alguma vez tentada, ainda para mais com ida e volta. Muita gente pensou que nunca seriamos capazes, mas, quando regressámos, não queriam acreditar que tínhamos de facto conseguido!”