Michy Batshuayi. No verão, depois de uma época com golos em barda no Marselha — e um Euro2016 assim-assim, diga-se –, o Chelsea pagou uma pipa de massa pelo ponta-de-lança belga: 40 milhões de euros. A pronto. Mas Michy nunca foi uma aposta a pronto para o treinador dos londrinos, Antonio Conte. Pouco ou nada jogou, somente 127 minutos na Premier League, tendo marcado apenas dois golos.

Esta noite, no estádio do West Bromwich, ao Chelsea bastaria uma vitória para ser campeão inglês, o quinto título desde 2004/05, isto quando só restavam três jornadas até final e o Tottenham, o único clube que realmente deu luta ao Chelsea está temporada, falhou na jornada anterior ao perder em casa do West Ham e estava a sete pontos.

Mas não havia maneira (mesmo com a “carne toda no assador”: Cesc Fàbregas, Pedrito Rodríguez, Eden Hazard ou Diego Costa) de o Chelsea vencer. O empate teimava. E Conte resolveu, aos 76′, colocar Michy Batshuayi no lugar de Pedrito. Mal sabia ele (ou talvez sim) que o belga seria o herói improvável do título, ao fazer o 1-0 precisos seis minutos depois de entrar.

Quanto ao Chelsea de Conte, que volta a ser campeão duas épocas depois — no ano passado o Leicester surpreendeu os “tubarões” todos em Inglaterra e ficou com o caneco –, não foi talvez mais entusiasmante do que o Tottenham ou o Manchester City de Guardiola. E mesmo sendo Conte italiano e apreciador do rigor defensivo, o Chelsea (com Matic e Kanté no meio-campo defensivo, e uma defesa a três com Gary Cahill, Azpilicueta e David Luiz) nem foi a melhor defesa da Premier League. Onde o Chelsea foi melhor — e isso fez a diferença — até foi lá na frente: 76 golos. Ninguém fez tantos.

Mérito dos “renascidos” (depois de uma época anterior para esquecer) Pedrito, Hazard e Diego Costa. E mérito a quem os fez renascer: Conte, que chegou a Inglaterra e “limpou” logo o campeonato à primeira — como um tal de José Mourinho o fizera em 2005, cinquenta anos depois do último título do Chelsea.