A militar norte-americana Chelsea Manning saiu esta quarta-feira em liberdade, depois de ter estado sete anos presa por ter divulgado, através da WikiLeaks, 700 mil documentos diplomáticos e militares confidenciais relacionados com as guerras no Afeganistão e no Iraque. A informação da saída de Manning da prisão militar Fort Leavenworth, no Kansas, foi avançada à BBC por um porta-voz do exército.

A advogada da militar transgénero de 29 anos disse, esta quarta-feira cedo, que a sua cliente está “ansiosa”. “Ela está pronta para finalmente viver como mulher que é”, disse à BBC Nancy Hollander.

Em janeiro, Manning tweetou que queria ir para Maryland, onde já tinha vivido, depois de sair da prisão. Manning continuará ativa no Exército enquanto o processo rolar em tribunal, com regalias ao nível dos cuidados de saúde, mas não receberá salário. Se o seu recurso for recusado, ela poderá ser afastada do Exército.

A Amnistia Internacional já tinha vindo dizer que a libertação de Manning “põe fim à provação cruel a que a ex-analista de dados do Exército foi vingativamente submetida” e que agora terá “de ser feita uma investigação independente às potenciais violações de direitos humanos que a antiga militar expôs”.

Chelsea Manning, que era Bradley Manning quando entrou na prisão masculina de Fort Leavenworth, iniciou a mudança de género enquanto esteve presa, tendo recebido um tratamento hormonal. Chelsea chegou a tentar o suicídio duas vezes na prisão masculina.

Condenada a 35 anos de prisão, por 20 delitos, incluindo espionagem, em janeiro, nos últimos dias de mandato, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, concordou com a comutação da pena da antiga militar para sete anos. Manning acedeu à informação confidencial quando estava destacada no Iraque como analista de informações do exército norte-americano.