O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) prevê reunir no dia 10 de junho, em Madrid, Espanha, 10 mil pessoas na maior manifestação na Península Ibérica contra o nuclear, revelou esta segunda-feira o coordenador para Portugal, António Elói.

Calculamos ter cerca de 10 mil pessoas, sendo que algumas centenas irão de Portugal, naquela que será, na caminhada entre Atocha e a Puerta del Sol, a maior manifestação jamais realizada na Península Ibérica contra o nuclear”, disse o responsável do MIA no decurso de uma preleção no Porto.

Tendo como foco a polémica em torno das centrais nucleares de Almaraz e da construção de um armazém na sua periferia e comentando o recente relatório da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), considerou que este “diz que nada foi estudado”. “Não foi feito um estudo hidrogeológico, não foi feito um estudo geológico e não foi feito nenhum estudo que enquadre para Portugal e Espanha aqueles que são os verdadeiros riscos da central de Almaraz”, acusou.

E prosseguiu: “A hipótese improvável, que não impossível, de um acidente nuclear em Almaraz, ou no armazém, que contamine o Tejo e as suas consequências, seja para o rio seja para a atmosfera não são minimamente equacionadas”.

Para António Elói o problema não se esgota aí, já que para o coordenador do MAI “nada foi feito, seguindo as recomendações dos grupos ecologistas, quando dizem que se devia retomar os trabalhos, concluir as partes omissas e, sobretudo, concluir aquela parte entre Portugal e Espanha que foi o motivo da queixa do Estado português em Bruxelas”.

O relatório não fez qualquer avaliação dos impactos ambientais em Portugal de qualquer acidente que, por exemplo, pode ocorrer durante a trasfega das barras de combustível das piscinas para o armazém”, salientou o representante em Portugal da organização fundada há dois anos.

Endurecendo o discurso, António Elói advertiu que Portugal “não está preparado para um acidente destes” que poderá atingir em grande escala os portugueses. “Ainda na semana passada vimos um relatório feito por militares portugueses no âmbito da NATO, e que foi muito desvalorizado, que disse aquilo que dever ser dito, ou seja, que um acidente num reator poderá atingir 800 mil portugueses”, acrescentou.

Para António Elói, a construção do “armazém é desnecessária porque as piscinas têm capacidade de armazenar os resíduos da produção até ao fim do período de vida estimado da central de Almaraz, ou seja até 2020/2021”. E acusou: “Se mesmo havendo capacidade de armazenamento nas piscinas se quer construir o armazém, isso só pode ter uma explicação: quer-se prolongar a central Almaraz”.

Antecipando a cimeira ibérica prevista para o final do maio, o coordenador do MIA disse “não ter grandes expectativas”, esperando, no entanto que o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy fale com homólogo português António Costa “sobre o envolvimento de Portugal na hipótese do prolongamento da vida da central de Almaraz”. “Isso já nos dava alguma satisfação”, confessou.