A história começa em Fevereiro, quando a Waymo, a empresa que a Google criou para o desenvolvimento de um sistema de condução autónoma, processou dois dos seus ex-empregados, por uma série de ficheiros com informação confidencial ter chegado às mãos da Uber. Esta semana o tema volta a ser notícia, uma vez que o juiz federal encarregue do caso decidiu que a Uber tem até ao dia 31 de Maio para devolver à Waymo esses documentos. Assim que isso acontecer, a Uber pode regressar ao trabalho, mas o responsável pelo seu projecto de condução autónoma, Anthony Levandowski, ex-Waymo e ex-dono da Otto (empresa que criou e entretanto vendeu à Uber) não poderá continuar a trabalhar no sistema.

Este é um episódio em que a Uber não sai muito bem na fotografia. Desde logo pelas conclusões do próprio juiz William Haskell Alsup, que acusou a empresa de transportes de “saber, ou ter a obrigação de saber, a origem da tecnologia roubada pelos dois ex-engenheiros da Waymo”. Esta tecnologia foi integrada no desenvolvimento do sistema de condução autónoma que a Uber está a realizar, através da empresa que adquiriu para esse efeito, a Otto, pela qual pagou, no passado mês de Agosto, 680 milhões de dólares.

As conclusões do juiz Alsup são assassinas para as aspirações da Uber, uma vez que esta empresa adquiriu a Otto – criada em Janeiro de 2016, na mesma altura em que saíram da Waymo Levandowski e Lior Ron, seu sócio e, tal como, ele ex-funcionário da empresa da Google – exclusivamente pelo know-how que possuía. Sucede que, de acordo com a justiça americana, esse know-how não era mais do que os 14 mil documentos “desviados” da Waymo e, como tal, sua propriedade intelectual.

A decisão do juiz Alsup abre agora a porta a um novo processo da Waymo, que tal como a Google, é pertença do poderoso Grupo Alphabet, que não deixará de perseguir os dois engenheiros e a Uber, não só para ser ressarcida, como para se assegurar que não vai existir tão depressa um sistema de condução autónoma da Uber.

Entretanto, a Waymo assinou um acordo com a Lift, a maior rival da Uber, visando colocar em circulação nos próximos meses, em Phoenix e noutras cidades americanas, uma frota de 600 veículos a funcionar de forma autónoma experimental.