Nunca seria simples substituir um modelo que vendeu praticamente um milhão de exemplares durante os quase nove anos em que esteve no activo, foi líder de vendas no seu segmento, a nível europeu, até que findou a respectiva produção, e assegurava 70% das vendas do seu construtor no Velho Continente. Mas a Volvo terá resolvido a contento a tarefa de encontrar um sucessor para o XC60 quando optou por criar o que, de uma forma simplista, se pode considerar como um XC90 à escala reduzida.

Até porque o óbvio parentesco entre os dois modelos dificilmente será um handicap para o mais jovem e acessível, tendo em conta os inquestionáveis atributos do seu “irmão” mais velho, e a invejável aceitação que este tem registado junto do público. Com o novo XC60 prestes a iniciar a sua carreira comercial no mercado português, saiba, ponto por ponto, o que vale o mais recente candidato à liderança da cada dia mais concorrida e competitiva classe dos SUV compactos de prestígio.

Mais vale ser e… parecer!

No sector automóvel, não faltarão os exemplos de modelos tecnicamente bem concebidos cuja aceitação (porventura, injustamente) ficou marcada por uma estética menos apelativa. Nem aqueles que começaram por convencer pelos seus atributos estéticos, mas acabaram por constituir uma desilusão devido a uma valia intrínseca, no mínimo, perfectível. Pelo que, neste domínio, o melhor, mesmo, é ser como a mulher de César…

Uma área em que o novo XC60 pouco terá a temer. O parentesco com o XC90 é óbvio, a ponto de, num primeiro e breve olhar, até ser possível confundi-los, com as suas linhas exteriores a incluírem todos os elementos que definem os actuais cânones estilísticos da Volvo – nomeadamente os faróis dianteiros por LED marcados pelo conhecido “T” deitado, evocativo do famoso martelo de Thor, do não menos célebre deus da mitologia escandinava.

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Naturalmente que uma observação mais atenta também permite, facilmente, perceber que existem notórias, e naturais, diferenças entre os dois modelos neste particular. Ou seja, foram feitos os diversos ajustamentos necessários para adaptar a linguagem estilística da Volvo às dimensões mais compactas do XC60, e a conferir-lhe o seu próprio carácter – sejam as formas mais suavizadas da secção dianteira, a linha do tejadilho mais dinâmica ou os grupos ópticos de desenho específico.

Mas sem que tal impeça que o modelo inclua, na íntegra, o novo ADN estilístico da casa de Gotemburgo, que tantos elogios tem merecido. O resultado final é um SUV de aparência fluída mas distinta e dinâmica, sem nunca ser impositivo, ao melhor estilo nórdico. Aerodinamicamente eficaz, como o prova o Cx de 0,32, tem ainda a (nada desprezível) particularidade de se demarcar de forma evidente tanto do seu predecessor, como dos seus principais rivais no segmento – os modelos de origem germânica. Pelo que não será por aqui que o XC60 deixará de conquistar adeptos. Bem pelo contrário.

Questão de bem-estar

Chegado o momento de avaliar características mais concretas, ou menos discutíveis, importa perceber melhor como “nasceu” o novo XC60. Na sua génese está a plataforma modular SPA, já utilizada em todos os modelos da nova Série 90 (XC90, S90 e V90) da Volvo, mas aqui com 2.865 mm entre eixos, ou seja, menos 119 mm do que no XC90, mas 91 mm mais do que no XC60 da anterior geração. Quanto às dimensões exteriores, e face ao XC90, o novo XC60 é 262 mm mais curto, tem praticamente a mesma largura e é 118 mm mais baixo; por comparação com o seu antecessor, cresceu 44 mm em comprimento e 11 mm em largura, mas sendo 55 mm mais baixo.

Isto permite-lhe não só ser liminarmente mais leve do que o modelo que o antecedeu (apesar do aumento das dimensões e de contar com mais equipamento, nomeadamente de segurança), como oferecer uma habitabilidade suficiente para albergar comodamente quatro adultos – o conforto de um eventual quinto passageiro é prejudicado tanto pelo túnel da transmissão, como pelo formato do banco traseiro, pouco acolhedor para quem ocupe o seu lugar central. Face ao anterior XC60, é evidente o maior desafogo oferecido a quem viaja atrás, sobretudo no que diz respeito ao sempre decisivo espaço disponível para as respectivas pernas.

20 fotos

A bagageira, além de oferecer um óptimo acesso, viu a sua capacidade aumentar 10 litros, oferecendo, agora, 505 litros com toda a lotação disponível – um valor que alinha por cima com a média da classe. Podendo sempre ser ampliada mediante o rebatimento assimétrico do banco traseiro.

A Volvo também faz questão de afirmar a sua pretensão de que o XC60 seja um automóvel capaz de apelar a todos os sentidos, e de satisfazê-los a todos. Capítulo em que tenderá a ser determinante o bem-estar que se sente a bordo, assegurado, desde logo, por uma decoração simples mas requintada, capaz de criar uma atmosfera interior “calma”, na melhor tradição da escola sueca.

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Para além de que, também aqui, são vários os elementos que evocam o XC90: os bancos muito confortáveis e com um bom apoio, o botão que faz actuar a ignição, o selector dos modos de condução ou o enorme e eficiente tablet, destinado a controlar o sistema de infoentretenimento, são só os exemplos mais evidentes. Ainda assim, o que mais se destacará no habitáculo é a qualidade geral de nível superior, em que apenas alguns plásticos serão de nobreza inferior aos utilizados pelo XC90, trunfo que coloca o novo XC60 no topo da sua categoria também num domínio que, por tradição, é bastante caro aos seus rivais alemães.

Segurança: cumpre-se a tradição

Se há área em que a Volvo dispensa apresentações é na da segurança. E o XC60 pretende fazer jus aos pergaminhos do seu construtor nesta matéria, que o anuncia como um dos automóveis mais seguros alguma vez construídos. Dos modelos da série 90 herda diversas soluções de vanguarda, com destaque para o opcional Pilot Assist, o sistema de condução semiautónoma da marca de Gotemburgo, operável a velocidades até aos 130 km/h, e capaz de assumir, em estradas em que as marcações estejam bem visíveis, o controlo da direcção, do acelerador e dos travões, desde que o condutor mantenha sempre as mãos no volante.

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Mas também lhe cabe estrear algumas soluções inéditas, nomeadamente a evolução do sistema City Safety, com travagem autónoma de emergência e reconhecimento de veículos, peões e animais de grande porte. Aqui, a grande novidade é a capacidade deste dispositivo intervir sobre a direcção em três situações distintas: quando a travagem não for suficiente para evitar uma colisão com os referidos veículos, peões e animais (funciona entre os 50 km/h e os 100 km/h); quando é detectado um risco iminente de embate frontal com um veículo que circule em sentido contrário (a função Oncoming Lane Mitigation, activa entre os 60 km/h e os 140 km/h); ou quando o sistema de monitorização do ângulo morto define que existe perigo de colisão com outros veículos numa mudança de faixa.

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Do extenso leque de triunfos do XC60 neste âmbito fazem ainda parte, entre outros, o sistema de leitura de sinais de trânsito, o sistema de monitorização e alerta de cansaço do condutor, a câmara panorâmica de 360o, o alerta de tráfego pela traseira nas manobras de marcha-atrás, o sistema de prevenção e mitigação de saídas de estrada (quando tal é inevitável, retira a folga dos cintos, ao mesmo tempo que os bancos contam com uma estrutura de absorção da energia vertical resultante do impacto, que é activada para reduzir o risco de lesões sobre a coluna) e o alerta de colisão iminente pela traseira.

Tecnologia de ponta

O paralelismo entre o XC60 e o XC90 está patente, igualmente, na comunhão de boa parte das soluções mecânicas. O recurso à plataforma SPA permite, também, que o novo SUV compacto sueco conte com as evoluídas suspensões por duplos triângulos na frente e multilink atrás, estando em opção disponível o amortecimento pneumático activo.

A gama de motores disponível na fase de arranque de comercialização também provém na íntegra do SUV de topo da Volvo, todos pertencentes à sua família de motores modulares, com idêntica arquitectura (quatro cilindros em linha de 1.999 cc, montados transversalmente), injecção directa de combustível e sobrealimentação. As unidades a gasóleo contam com um turbocompressor (de duplo estágio e geometria variável na mais potente), a declinação mais potente do propulsor a gasolina conta com um turbocompressor e com um compressor volumétrico actuado por uma embraiagem electromagnética fornecida pela Eaton (destinado a assegurar a sobrealimentação até às 3.500 rpm, regime a partir do qual tal função passa a estar a cargo do turbo de generosas dimensões).

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Passando aos números, o XC60 D4 oferece 190 cv e um binário de 400 Nm constante entre as 1.750-2.500 rpm, atinge 205 km/h, cumpre os 0-100 km/h em 8,4 segundos e anuncia um consumo combinado de 5,2 l/100 km. Já o XC60 D5 disponibiliza 235 cv e 480 Nm contantes entre as 1.750-2.250 rpm, o suficiente para alcançar 220 km/h, gastar 7,2 segundos nos 0-100 km/h e anunciar 5,5 l/100 km no ciclo combinado.

No caso das versões a gasolina, o XC60 T5 conta com 254 cv e 350 Nm constantes entre as 1.500-4.800 rpm, sendo a velocidade máxima de 220 km/h, os 0-100 km/h cumpridos em 6,8 segundos e o consumo combinado de 7,3 l/100 km. Com o XC60 T6 a oferecer 320 cv e 400 Nm constantes entre as 2.200-5.400 rpm, para uma velocidade máxima de 230 km/h, 5,9 segundos nos 0-100 km/h e 7,7 l/100 km no ciclo combinado.

No topo da oferta está a versão híbrida plug-in, que combina o motor a gasolina da variante T6 com um motor eléctrico instalado no eixo traseiro, com 88 cv e 240 Nm, alimentado por uma bateria de iões de lítio de 10,4 kWh montada no túnel central, capaz de oferecer até 45 km de autonomia no modo exclusivamente eléctrico. Aqui, o rendimento combinado é de 407 cv e 640 Nm, o que permite ao XC60 T8 alcançar uma velocidade máxima electronicamente limitada a 230 km/h, cumprir os 0-100 km/h em 5,3 segundos e anunciar um consumo combinado de apenas 2,1 7/100 km, a que correspondem emissões de CO2 de 49 g/km.

Resta referir que todos os XC60 da nova geração recorrem a uma caixa automática ZF de oito velocidades, e que todas as versões para já disponíveis entre nós exibem a sigla AWD. Que é o mesmo que dizer que contam com o sistema de tracção integral controlado por uma embraiagem central multidiscos de comando electro-hidráulico, que gere electronicamente a repartição do binário entre os dois eixos, enviando 100% do mesmo para a frente em situações normais de circulação, é até 50% para o eixo traseiro sempre que necessário (contando ainda com um modo bloqueio no modo de condução Off-Road, em que o torque é repartido, em permanência, pelos dois eixos de forma equitativa).

Não há como experimentar

Para avaliar como se traduz tudo este argumentário na prática, nada como ocupar o melhor lugar a bordo, desfrutando de uma posição de condução dominante, como se impõe num SUV, mas não tão elevada como no XC90.

Ao volante da versão D5 AWD Inscription dotada de suspensão pneumática, a primeira nota vai, com todo o mérito, para o excelente conforto oferecido em qualquer circunstância, mesmo em pisos mais demolidores, e até com o modo de condução Dynamic seleccionado, não obstante as jantes de 20” revestidas por pneus de baixo perfil.

Estável a alta velocidade, o XC60 padece de uma direcção algo leve (especialmente nos modos de condução Eco e Comfort), ao passo que a resposta do motor é apreciável a baixa rotação, e excelente a partir do regime de binário máximo, progredindo de forma consistente e suave até ao regime máximo de funcionamento. Pena que a sua presença no habitáculo se faça sentir mais do que o desejável, devido a um ruído de funcionamento mais elevado do que o esperado.

A caixa de velocidades é suave e suficientemente rápida, mas nem sempre decide com a celeridade desejável, especialmente quando se adoptam ritmos de condução mais intensos em percursos com maiores variações de velocidade. Uma situação que pode ser obviada através do recurso ao comando manual em sequência, infelizmente disponível apenas na alavanca de comando, já que as patilhas no volante são uma opção.

Beneficiando de um peso inferior em mais de 100 kg ao do seu irmão mais velho, bem como das dimensões mais compactas e de um centro de gravidade mais favorável, o XC60 é notoriamente mais reactivo do que o XC90, obedecendo de forma mais rápida e fidedigna às instruções que lhe são transmitidas pelo condutor através do volante. A sua atitude em curva é pautada, também, por uma outra precisão, mesmo que a afinação do chassi vise mais a segurança e a facilidade de condução do que, propriamente, a eficácia pura ou a agilidade em traçados sinuosos, já que, nos limites, a sua atitude é, predominantemente, subviradora.

Mais do que um defeito, uma característica, por ser este um SUV desprovido de qualquer pretensão desportiva. Tanto mais que aquilo que faz, fá-lo muito bem feito, com uma assinalável competência.

Os (poucos, imagina-se…) que pretendam aventurar-se com o seu XC60 fora de estrada, para além de uma ligeira incursão por pisos de terra, tenderão a deparar-se com uma agradável surpresa. Tanto o sistema de tracção total como os favoráveis ângulos característicos (ataque de 23,1°, saída de 20,8°, ventral de 25,5°, altura ao solo de 216 mm) permitem-lhe exibir uma apreciável desenvoltura no todo-o-terreno, obviamente incrementada quando equipado com suspensão pneumática – que, no modo Off-Road, operável até aos 40 km/h, eleva 40 mm adicionais a altura ao solo.

Quando e quanto?

Já disponível para encomenda em Portugal, o novo XC60 tem as primeiras entregas no nosso país previstas para o próximo mês de Julho. Para já, a gama é composta pelas versões D4 AWD, D5 AWD e T8 AWD, todas passíveis de combinar com os três níveis de equipamento propostos: Momentum, R-Design e Inscription. Os preços do diesel mais acessível começam nos 55.504€, o D5 é proposto a partir de 62.957€ e o híbrido desde 67.699€.

Para quem estes valores sejam excessivos, há sempre a possibilidade de optar pela versão D3 de tracção dianteira, naturalmente mais económica, mas que só chegará ao mercado em 2018. Por sinal, o ano em que também será lançado o novo XC40, modelo aguardado com alguma expectativa, por prometer seguir, à sua escala, as pegadas deste novo XC60.

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