Gianluigi Buffon tem quase 40 anos e anda pelos grandes palcos que nem um miúdo. Tanto que, no próximo sábado, vai disputar mais uma final da Liga dos Campeões. Ele é o rosto da Juventus, hexacampeã de Itália depois de, há uma década, ter descido de divisão pelo “Calciocaos”, escândalo de corrupção que apanhou mais alguns clubes. Na verdade, e porque sempre se manteve fiel à Vecchia Signora, muitos pensam que o guarda-redes fez toda a carreira no clube. Não fez: em 2001, saiu do Parma para Turim por 53 milhões de euros. Essa é ainda hoje a maior venda de sempre de um guardião. Mas agora é seguida por Ederson.

O brasileiro tinha referido após a vitória na Taça de Portugal, no Jamor, que esse teria sido, “provavelmente”, o último jogo pelo Benfica. Sabia do que falava, a confirmação demorou um pouco mais do que se esperava. E o destino foi o Manchester City, que já tinha pago entre 50 a 60 milhões de euros por Bernardo Silva, do Mónaco. Agora que se fala de uma mega-multi-gigante oferta de 130 milhões por Mbappé, já ninguém se admira. A título de curiosidade, acrescente-se que o Benfica passa assim a ter dois guarda-redes entre o top-10 dos mais caros de sempre na posição, depois da venda de Oblak ao Atl. Madrid por 16 milhões em 2014.

O que se sabe sobre o negócio e o que ganha o Ribeirão?

Os 40 milhões de euros pagos pelo Manchester City pelo guarda-redes não entrarão na totalidade nos cofres da Luz. Longe disso. Mas também não se sabe ao certo como será dividido o bolo total.

Chegado em 2009/10 dos juvenis do São Paulo, Ederson passou pelos juvenis e juniores do Benfica até rumar ao Ribeirão, a custo zero. Passada uma época, o guarda-redes chegou quase sem custos ao Rio Ave, que posteriormente vendeu o brasileiro aos encarnados por um valor a rondar 1,2 milhões de euros. No entanto, ficou acordado que os vila-condenses manteriam metade dos direitos económicos.

De acordo com o comunicado enviado à CMVM, o Benfica ficará apenas com metade do negócio: 20 milhões. Em paralelo, poderá também haver um acordo entre Rio Ave e Jorge Mendes, agente que lidera a Gestifute, para a distribuição do restante valor que o conjunto de Vila do Conde receberá à empresa que agencia alguns dos melhores jogadores do mundo, com Cristiano Ronaldo à cabeça.

Em virtude do mecanismo de solidariedade, o Ribeirão ainda terá direito a 0,5% da transferência, 200 mil euros, que servirão para pagar dívidas: como o clube faliu, qualquer receita que entre é, como funciona nestes casos, entregue à administradora de insolvência, que por sua vez distribui aos credores. E o Estado, através do Fisco e da Segurança Social, é o principal beneficiado desta situação, como explica o Record.

Quem é o provável sucessor de Ederson?

Por falar em Ribeirão, André Moreira, que curiosamente saiu do clube nortenho para o Atl. Madrid, é falado como a hipótese mais forte para suceder ao brasileiro na baliza dos encarnados a partir da próxima temporada. Com 21 anos, esteve emprestado a Moreirense e U. Madeira nas últimas épocas, tendo ficado como guarda-redes reserva dos colchoneros na presente temporada (em que deveria jogar no Belenenses) após a grave lesão contraída por Moyá. Há, ainda assim, um fator que joga contra as contas das águias: o Tribunal Arbitral do Desporto manteve a proibição de haver contratações por parte dos colchoneros até janeiro de 2018, pelo que qualquer saída do conjunto de Madrid terá de estar devidamente compensado com jovens da formação.

Joel Pereira, que também é internacional Sub-21 como André Moreira, é outra das opções já levantadas. Detetado pelo Manchester United ainda nas camadas jovens, esteve cedido ao Rochdale e ao Belenenses, na primeira metade da derradeira temporada, antes de regressar a Old Trafford e ser opção de José Mourinho na última jornada da Premier League, quando o técnico português optou por poupar a maioria dos titulares para a final da Liga Europa. Miguel Silva (V. Guimarães) e José Moreira (Estoril) também já foram falados, sem tanta força com os dois primeiros nomes supracitados.

Júlio César, veterano guarda-redes e um dos jogadores no ativo com mais títulos conquistados na carreira, falou a seguir à final da Taça de Portugal num fim de ciclo com a conquista desse troféu mas, quando foi de férias, esclareceu que não pretende deixar o Benfica, com quem ainda tem um ano de contrato.