A chefe do governo autónomo escocês, Nicola Sturgeon, anunciou esta terça-feira a decisão de suspender a proposta de lei para a realização de um segundo referendo à independência do país. Numa declaração na assembleia regional de Holyrood, a líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP) afirmou que iria “reiniciar” o processo, fazer uma nova avaliação à medida e aguardar até que exista um acordo em relação aos termos do Brexit.

“Não vamos introduzir legislação para um referendo sobre a independência pelo menos até ao outono de 2018”, anunciou Sturgeon, admitindo que o apoio popular à cisão com o Reino Unido tem decrescido bastante nos últimos meses.

Uma sondagem da empresa Survation, realizada pouco depois das eleições de 8 de junho, mostra que seis em cada dez escoceses preferem que o SNP abandone o compromisso para um segundo referendo. A mesma sondagem revelou que apenas 27% acredita que o governo deve continuar a pressionar Westminster para a realização de um segundo voto e que um terço daqueles que, em 2014, apoiavam a separação, disseram, desta vez, que Sturgeon devia por termo a esta luta. No geral, o apoio à independência caiu 44%.

A prioridade do governo escocês, vincou ainda a primeira-ministra na mesma comunicação aos deputados, será de manter o Reino Unido no mercado único europeu no quadro das negociações do Brexit. Porém, acrescentou, o executivo “continua fortemente empenhado no princípio de oferecer à Escócia a escolha no fim deste processo”.

Nicola Sturgeon tinha prometido em março realizar um segundo referendo à independência da Escócia entre o fim de 2018 e o início de 2019 para dar aos escoceses uma opção sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

O SNP fez campanha contra o Brexit e a maioria dos eleitores escoceses de facto votou pela permanência do Reino Unido na União Europeia mas nas eleições gerais de 8 de junho deste ano, Sturgeon perdeu 21 dos 56 deputados que possuía, todos para partidos que se opõem à independência. O apoio ao SNP deu um tombo de mais de meio milhão de votos (470,000) e tanto o líder dos nacionalistas em Westminster, Angus Robertson, como o antigo primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, perderem os seus lugares para o Partido Conservador.

A primeira-ministra admitiu que o seu partido não tinha conseguido persuadir eleitores suficientes de que a independência era a solução certa mas não desiste da luta: “ainda não conseguimos fazê-lo mas não tenho dúvidas que o iremos conseguir”, disse Sturgeon.