Paulo Rangel, eurodeputado do PSD, atacou fortemente o Governo na sua página do Facebook, questionando a reação ao incêndio de Pedrógão Grande e apelando à demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa. Rangel publicou o texto pouco tempo depois de Pedro Passos Coelho ter questionado António Costa no Parlamento, sem pedir a cabeça da ministra. Aliás, nenhum partido o fez.

Como pode a Ministra manter-se em funções, quando todas as instituições sob sua tutela estão debaixo de suspeita? A ministra, justamente para assegurar um inquérito independente e sem pressão política para a sua manutenção, devia demitir-se já. Se não se deixou mover por esse sentido de dignidade institucional no momento adequado — assim que os fogos estavam extintos — ao menos que não contribua para manchar a investigação a que todos, em especial as vítimas, temos direito”, escreveu Paulo Rangel.

O eurodeputado acusou também o Governo de nem sequer ter feito “um pedido de desculpas” e questionou “como é que tinha sido possível não ter anunciado e posto logo no terreno um inquérito global”.

“A Inspeção-Geral da Administração Interna vai fazer um inquérito ou uma auditoria à Secretaria-Geral da Administração Interna? Mas será que ninguém tem a noção de que a secretaria-geral está na dependência direta da Ministra, é o órgão central do ministério, é o coração do ministério? Como podem a ministra e o ministério serem ‘destacados’ ou ‘desafetados’ de um departamento de que são o imediato superior e responsável hierárquico?”, escreveu.

Os incêndios em Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos fizeram 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos. No debate quinzenal desta quarta-feira, que foi inteiramente centrado nas falhas e responsabilidades do incêndio de Pedrógão, o primeiro-ministro deixou algumas novidades: admitiu divergências na versão do SIRESP, que aponta para a inexistência de falhas, e na versão da Proteção Civil, que, enquanto utilizadora, aponta para várias falhas de comunicação; admitiu nova revisão do contrato com o SIRESP; anunciou aquisição de antenas satélites por ajuste direto e apelou ao consenso alargado em torno da reforma florestal. Sugeriu mesmo que, se o problema do cadastro florestal é o facto de se pagar impostos, então que se faça o cadastro dos terrenos sem qualquer cobrança de impostos.

Passos e Cristas querem respostas já, Costa prefere esperar