O jornal El Mundo fala em “grande contradição” de Jorge Mendes. Mas vamos por partes. O agente português foi ouvido esta terça-feira de manhã no Tribunal de Instrução de Pozuelo de Alercón, em Madrid, como arguido no processo da alegada fuga ao fisco do jogador colombiano Radamel Falcao — foi o próprio Falcao quem no começo do mês afirmou à juíza Mónica Gómez Ferrer que Mendes o assessorou na criação da offshore.

Em tribunal, Mendes terá afirmado à mesma juíza que desconhecia o funcionamento da offshore MIM (sediada na Irlanda e que geria os direitos publicitários dos clientes da Gestifute), acusando os próprios futebolistas (no caso, Falcao) de serem os únicos responsáveis pela alegada fuga ao fisco em Espanha. “Não sei, juro que não sei”, afirmou Mendes à juiza Gómez Ferrer, segundo o El Mundo.

E é aqui que surge a contradição, acusa o jornal. É que o El Mundo teve acesso a uma carta enviada pelo escritório de advogados Senn Ferrero (que faz a assessoria jurídica da Gestifute em Espanha) a Jorge Mendes, mas também a Luís Correia, sobrinho e braço-direito de Mendes, ao advogado Carlos Osório (que dirige a offshore irlandesa) e Miguel Marques, assessor financeiro da Gestifte. A carta data de outubro de 2015, por altura da investigação (também por fuga ao fisco) das finanças espanholas a Fábio Coentrão. E escrevia um dos sócios do escritório, Julio Senn: “Considero que [no caso de Fábio Coentrão] vocês estão a agir de forma reativa e não pro-ativa a estas questões e esperemos que tudo fique por aqui — e que não considerem a estrutura do Jorge na Irlanda como cooperador necessário para evitar a tributação dos jogadores em Espanha”.

O mesmo escritório de advogados terá solicitado uma reunião urgente com os sócios da Gestifute para se “coordenarem”.

Ainda no caso de Falcao, também Luís Correia será ouvido (na condição de arguido) pelo Tribunal de Instrução de Pozuelo de Alercón a 20 de setembro. Mas Mendes poderá voltar a sentar-se no banco dos réus antes. É que a 31 de julho começa a ser ouvido Ronaldo, acusado de quatro crimes fiscais. Caso Ronaldo acuse (tal como Falcao) a Gestifute de ser a responsável pelos crimes, Mendes poderá ter que voltar a depor — novamente como arguido.