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Os últimos meses têm sido magníficos para Dua Lipa. Atuou em Glastonbury, esteve no The Tonight Show de Jimmy Fallon, anda em digressão há meses e editou, no início de junho, o primeiro álbum de estúdio. Aos 21 anos de idade, a modelo, cantora e compositora britânica de ascendência albanesa está numa escalada de sucesso, que teve como pontapé de saída alguns vídeos de covers no YouTube.

O primeiro single a sério, “New Love”, saiu em agosto de 2015 mas foi em outubro desse ano que apareceu “Be The One”, a bomba que já leva mais de 120 milhões de visualizações, um single orelhudo ilustrado por um vídeo provocador que fazia antever, para o bem e para o mal, o nascimento de mais uma estrela pop adolescente. Foram os primeiros trabalhos depois de assinar pela Warner e nesse mesmo ano deu início à construção do álbum de estreia, que entretanto já lhe rendeu um total de sete singles.

Capa de Dua Lipa (Warner, 2017)

Dua Lipa demorou quase um ano e meio a ver a luz do dia e foi anunciado com expectativa: Chris Martin (esse mesmo, o vocalista dos Coldplay) e Miguel eram duas colaborações de peso que não se costumam meter em discos que não prestam. Mas faltava ouvir Dua Lipa de fio a pavio. O primeiro impacto chega a ser surpreendente, sobretudo para os ouvidos preconceituosos que estavam à espera de um mero exercício pop pastilha elástica.

Para começar, tem uma hora de música, são 17 as canções que compõem a edição Deluxe (que pode ouvir aqui), o que não é muito usual para um disco de estreia. Depois, a estrutura surpreendentemente coerente, dançável e divertida, isto apesar da artista descrever Dua Lipa como um disco de pop negra.

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Temas como “Blow Your Mind (Mwah)” e “Garden” são canções que fazem sorrir, o primeiro porque manda beijinhos e o segundo porque é uma balada daquelas anasaladas a prometer ser de faca e alguidar, mas depois se transforma numa belíssima gritaria; o dueto ao piano com Chris Martin (“Homesick”) não passa de fofinho, mas a dupla com Miguel (“Lost In Your Light”) é um grande single.

Finalmente, a voz. Dua Lipa tem um tom grave que não cansa, capaz de ir a latitudes que parecem fabricadas; este é um bom exemplo, mas encontra muitos outros na rede, lições de que a jovem artista junta à figura e pose uma voz verdadeira. Além disso, participa de corpo e alma na música que faz, outro ingrediente importante para se tornar numa super estrela da pop mundial. Este álbum de estreia é um excelente começo, agora é esperar que não lhe falte aquela ponta de sorte.