Rádio Observador

Empreendedorismo

Lisboa vai ter um dos maiores hubs da Europa. E, se correr bem, mais três mil empregos

7.409

Em 35 mil metros quadrados do Beato vai nascer uma espécie de cidade do empreendedorismo. Mercedes e Web Summit já anunciaram o interesse. Para além de empresas, haverá restaurantes e até alojamentos.

A apresentação foi feita esta terça-feira, no Beato, por Miguel Fontes, diretor da Startup Lisboa.

© D.R.

O Hub Criativo do Beato, o mega hub empreendedor com 35 mil metros quadrados, vai começar a receber os primeiros ocupantes no próximo ano. Só a incubadora Factory, que na Alemanha conseguiu atrair gigantes como SoundCloud, Twitter ou Uber , vai ocupar 11 mil metros quadrados do espaço da antiga manutenção militar, entre a Estação de Santa Apolónia e a Expo, em Lisboa.

Na apresentação pública desta terça-feira, Miguel Fontes, diretor da Startup Lisboa, que será a responsável por gerir e dinamizar o imenso espaço, deixou claro que um dos objetivos do Hub Criativo do Beato é ter “a melhor rede de wifi e Internet da Europa”, por exemplo, de modo a atrair grandes empresas de referência na área da inovação e da tecnologia. De preferência, empresas que não estejam já em Lisboa. “A ideia não é abafar o que a cidade já tem, não é que os projetos que a cidade já tem se deslocalizem para lá”, explica ao Observador.

Ter serviços diferenciados concentrados no mesmo espaço será a imagem de marca, quer seja na área do empreendedorismo (incubadoras, aceleradoras, coworks e investidores), nas industrias criativas (cinema, audiovisual e multimédia, publicidade e marketing digital, música, moda, arquitetura, design e arte urbana), centros de investigação e desenvolvimento, centros de competências e, claro, captar startups nacionais e “sobretudo internacionais que estejam em fase de expansão“, disse.

Imagens do projeto previsto para o Hub Criativo do Beato.

Mais de 20 entidades já formalizaram o interesse em instalar-se ali. Mercedes Digital Hub, UNICER, Web Summit e Factory são quatro dos futuros ocupantes já confirmados. Cinco, se contarmos com a própria Startup Lisboa, que também ali terá representação. Só a Factory vai ocupar 11 mil metros quadrados do Hub Criativo do Beato. Foi Simon Schaefer, o alemão fundador da Factory, em 2012, que subiu ao palco para apresentar o que quer fazer com a primeira internacionalização da empresa. Trata-se do mesmo Simon Schaefer que o Governo de António Costa escolheu para ficar à frente da Startup Portugal, a estratégia nacional para o empreendedorismo.

A Factory é uma empresa alemã que tem como missão “dar mais poder à próxima geração de empreendedores ao encurtar a distância de inovação que existe entre as empresas mais antigas e as novas, cobrindo todas as fases do empreendedorismo, do protótipo à admissão em bolsa”. E Simon, em inglês, disse que quer fazer o mesmo agora em Portugal.

Se a Câmara negociar também a ala norte, Hub Criativo do Beato pode ser “o maior do mundo”

Olhando para a apresentação, o Hub Criativo do Beato vai parecer uma pequena cidade, onde até existirão lavandaria, mini-mercado e alojamento, em formato co living, para fomentar a integração. O serviço de creche estará disponível, assim como uma academia desportiva.

Estão previstos restaurantes, bares, street food e áreas de chill out, um auditório e uma área de exposição, dinamizada pela empresa municipal lisboeta EGEAC, sobre o passado fabril. Tudo para que lisboetas e visitantes se sintam bem-vindos, num espaço que Miguel Fontes descreve como “aberto à comunidade”. “Não se confunda com um centro de escritórios.”

Imagem do projeto.

“O novo pólo empreendedor do Beato, que será um dos maiores da Europa, tem o potencial para criar mais de 3 mil postos de trabalho”, disse Fernando Medina. O presidente da Câmara de Lisboa (CML) olha para o Hub como “um dos mais importantes espaços para o desenvolvimento da cidade”.

O terreno e os edifícios fazem parte do complexo da Manutenção Militar, cuja gestão o Estado entregou à Câmara por um período de 50 anos. Em troca, a CML teve de pagar mais de sete milhões de euros e fica agora responsável por assegurar as infraestruturas dos espaços comuns exteriores, nomeadamente rede de águas e esgotos, eletricidade, wifi, arruamentos e arranjos exteriores.

Miguel Fontes reconhece que os 20 edifícios do complexo estão a precisar “de intervenções profundas”. As obras nas fachadas e nos interiores ficam a cargo dos promotores e entidades que ali se queiram instalar. Cada empresa terá de desenvolver um projeto em conjunto com os gestores do Hub. “Enquanto esse investimento não tiver sido amortizado, o município não lhes cobra nada pela cedência do espaço”, explica o responsável. As despesas comuns da vivência do Hub também são pagas pelos parceiros.

O site americano Tech Crunch, focado em notícias de tecnologia, diz mesmo que o Hub Criativo do Beato vai ser maior que o maior campus do mundo, que é a Station F, em Paris. Miguel Fontes considera que o entusiasmo seja exagerado, mas avança que é uma possibilidade no ar. “Porque a antiga manutenção militar tem duas alas, sul e norte. Se a CML chegar a acordo no sentido de ficar com a cedência também da ala norte, será a maior do mundo.”

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)