O Hub Criativo do Beato, o mega hub empreendedor com 35 mil metros quadrados, vai começar a receber os primeiros ocupantes no próximo ano. Só a incubadora Factory, que na Alemanha conseguiu atrair gigantes como SoundCloud, Twitter ou Uber , vai ocupar 11 mil metros quadrados do espaço da antiga manutenção militar, entre a Estação de Santa Apolónia e a Expo, em Lisboa.

Na apresentação pública desta terça-feira, Miguel Fontes, diretor da Startup Lisboa, que será a responsável por gerir e dinamizar o imenso espaço, deixou claro que um dos objetivos do Hub Criativo do Beato é ter “a melhor rede de wifi e Internet da Europa”, por exemplo, de modo a atrair grandes empresas de referência na área da inovação e da tecnologia. De preferência, empresas que não estejam já em Lisboa. “A ideia não é abafar o que a cidade já tem, não é que os projetos que a cidade já tem se deslocalizem para lá”, explica ao Observador.

Ter serviços diferenciados concentrados no mesmo espaço será a imagem de marca, quer seja na área do empreendedorismo (incubadoras, aceleradoras, coworks e investidores), nas industrias criativas (cinema, audiovisual e multimédia, publicidade e marketing digital, música, moda, arquitetura, design e arte urbana), centros de investigação e desenvolvimento, centros de competências e, claro, captar startups nacionais e “sobretudo internacionais que estejam em fase de expansão“, disse.

Imagens do projeto previsto para o Hub Criativo do Beato.

Mais de 20 entidades já formalizaram o interesse em instalar-se ali. Mercedes Digital Hub, UNICER, Web Summit e Factory são quatro dos futuros ocupantes já confirmados. Cinco, se contarmos com a própria Startup Lisboa, que também ali terá representação. Só a Factory vai ocupar 11 mil metros quadrados do Hub Criativo do Beato. Foi Simon Schaefer, o alemão fundador da Factory, em 2012, que subiu ao palco para apresentar o que quer fazer com a primeira internacionalização da empresa. Trata-se do mesmo Simon Schaefer que o Governo de António Costa escolheu para ficar à frente da Startup Portugal, a estratégia nacional para o empreendedorismo.

A Factory é uma empresa alemã que tem como missão “dar mais poder à próxima geração de empreendedores ao encurtar a distância de inovação que existe entre as empresas mais antigas e as novas, cobrindo todas as fases do empreendedorismo, do protótipo à admissão em bolsa”. E Simon, em inglês, disse que quer fazer o mesmo agora em Portugal.

“Willkommen” Factory. Maior campus de Berlim para startups chega a Lisboa

Se a Câmara negociar também a ala norte, Hub Criativo do Beato pode ser “o maior do mundo”

Olhando para a apresentação, o Hub Criativo do Beato vai parecer uma pequena cidade, onde até existirão lavandaria, mini-mercado e alojamento, em formato co living, para fomentar a integração. O serviço de creche estará disponível, assim como uma academia desportiva.

Estão previstos restaurantes, bares, street food e áreas de chill out, um auditório e uma área de exposição, dinamizada pela empresa municipal lisboeta EGEAC, sobre o passado fabril. Tudo para que lisboetas e visitantes se sintam bem-vindos, num espaço que Miguel Fontes descreve como “aberto à comunidade”. “Não se confunda com um centro de escritórios.”

Imagem do projeto.

“O novo pólo empreendedor do Beato, que será um dos maiores da Europa, tem o potencial para criar mais de 3 mil postos de trabalho”, disse Fernando Medina. O presidente da Câmara de Lisboa (CML) olha para o Hub como “um dos mais importantes espaços para o desenvolvimento da cidade”.

O terreno e os edifícios fazem parte do complexo da Manutenção Militar, cuja gestão o Estado entregou à Câmara por um período de 50 anos. Em troca, a CML teve de pagar mais de sete milhões de euros e fica agora responsável por assegurar as infraestruturas dos espaços comuns exteriores, nomeadamente rede de águas e esgotos, eletricidade, wifi, arruamentos e arranjos exteriores.

Miguel Fontes reconhece que os 20 edifícios do complexo estão a precisar “de intervenções profundas”. As obras nas fachadas e nos interiores ficam a cargo dos promotores e entidades que ali se queiram instalar. Cada empresa terá de desenvolver um projeto em conjunto com os gestores do Hub. “Enquanto esse investimento não tiver sido amortizado, o município não lhes cobra nada pela cedência do espaço”, explica o responsável. As despesas comuns da vivência do Hub também são pagas pelos parceiros.

O site americano Tech Crunch, focado em notícias de tecnologia, diz mesmo que o Hub Criativo do Beato vai ser maior que o maior campus do mundo, que é a Station F, em Paris. Miguel Fontes considera que o entusiasmo seja exagerado, mas avança que é uma possibilidade no ar. “Porque a antiga manutenção militar tem duas alas, sul e norte. Se a CML chegar a acordo no sentido de ficar com a cedência também da ala norte, será a maior do mundo.”