O Grupo Espírito Santo (GES) terá pago um suborno no valor de oito milhões de euros a José Sócrates para o ex-primeiro-ministro usar a golden share do Estado e chumbar a venda da operadora brasileira Vivo pela PT. A notícia é avançada pelo Correio da Manhã que acrescenta que o objetivo desta operação era o de assegurar o investimento da operadora portuguesa na também brasileira Oi.

Esta informação resulta, avança o jornal, do último interrogatório a José Sócrates, e deverá constar da acusação da Operação Marquês. Confrontado com estas alegações durante o interrogatório, o antigo primeiro-ministro negou.

José Sócrates usou, pela primeira e última vez, as 500 ações douradas na PT, que conferiam ao Estado direitos especiais, na assembleia geral do final de junho de 2010. Neste reunião, os acionistas privadas votaram a favor da oferta da espanhola Telefonica para comprar a Vivo.

A operação foi travada pelo chumbo do Estado, mas acabou por ser feita, algumas semanas depois, quando os espanhóis subiram o preço para 7.500 milhões de euros. Para justificar a recusa, Sócrates defendeu a importância da PT manter uma presença de relevo no mercado brasileiro de telecomunicações, o que acabou por acontecer. Isto porque foi com o dinheiro que recebeu pela venda da Vivo que a PT comprou uma participação na Oi, um negócio que seria também pretendido pelo GES, então o principal acionista da empresa portuguesa.

O dinheiro de venda da Vivo serviu ainda para distribuir bónus pelos administradores e dividendos extraordinários pelos acionistas da PT, incluindo o GES. Segundo a informação obtida na investigação da Operação Marquês também o ex-primeiro-ministro terá saído a ganhar do negócio com oito milhões de euros. O pagamento terá sido feito através da venda simulada de um terreno em Angola. Este valor fará parte das luvas de 29 milhões de euros que alegadamente o grupo então liderado por Ricardo Salgado terá pago a José Sócrates para obter benefícios nos negócios da antiga Portugal Telecom. .