O processo “Jogo Limpo” – que envolve 27 jogadores, agentes, treinadores e dirigentes de futebol num esquema de apostas desportivas online baseadas na Ásia – corre o risco de sofrer atrasos ou mesmo de não chegar a julgamento. Os advogados de defesa vão alegar nulidades e insuficiências no inquérito para conseguirem enfraquecer ou mesmo esvaziar a acusação e vão usar esta estratégia já a partir de amanhã, terça-feira, no início do debate instrutório, avança o Jornal de Notícias (link do artigo ainda indisponível) na sua edição de hoje.

O debate instrutório foi requerido por sete dos 27 arguidos do processo que querem contestar a acusação apresentada pelo Ministério Público. Entre as alegações que deverão ser feitas, revela o mesmo jornal, estão as interceções telefónicas feitas aos arguidos pela Polícia Judiciária que os advogados de defesa reclamam serem ilegais. Há outro fator que pode comprometer o avanço do processo: há partes da acusação que estão em inglês e que não foram traduzidas.

A investigação que desencadeou o processo “Jogo Duplo” foi iniciada pela Polícia Judiciária a 14 de maio do ano passado. Em causa estará um esquema em que o grupo de suspeitos, tendo conhecimento antecipado dos resultados desportivos, retirava lucros em sites internacionais de apostas, na internet e também no Placard – neste último caso, seria o recurso usado por alguns futebolistas do clube Oriental.

Entre os 27 arguidos que surgem envolvidos neste caso está o ex-jogador e campeão mundial Abel Silva, por suspeita de associação criminosa e dois crimes de corrupção ativa.

Abel Silva, herói de Riade, é um dos arguidos do Jogo Duplo