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A falta de acordo sobre o novo horário laboral na Autoeuropa é “uma preocupação para nós”, numa altura que a Volkswagen está já a preparar a comercialização do T-Roc, admitiu o presidente-executivo da marca alemã. No entanto, Herbert Diess afastou o cenário de uma deslocalização da produção do novo modelo para outra unidade do grupo, o que seria muito caro.

Numa conversa com jornalistas portugueses realizada esta quarta-feira no salão automóvel de Frankfurt, o responsável máximo pela marca Volkswagen afirmou: “Não estamos a considerar outras opções e confio na competência da administração da unidade local”. Questionado sobre se existem planos para transferir uma parte ou toda a produção para outra unidade, caso falhe um acordo para estender o horário de trabalho ao sábado, Diess assegurou que o cenário de uma deslocalização não está em cima da mesa do grupo. Até porque o T-Roc, reconheceu, só pode ser atualmente produzido na Autoeuropa e vai mobilizar a capacidade produtiva total, o que implica jornadas laborais de seis dias.

O gestor manifestou ainda a convicção de que divergência laboral ficará resolvida até outubro, um mês antes da prevista chegada ao mercado do novo modelo da marca alemã que é uma das grandes apostas da Volkswagen para recuperar o mercado e a credibilidade no segmento do diesel, depois da crise das emissões fraudulentas dos carros a gasóleo. No início do próximo mês está agendada a eleição da nova comissão de trabalhadores.

Herbert Diess admite que o grupo ficou “surpreendido” com o conflito laboral na unidade portuguesa, que desencadeou a realização da primeira greve nos mais de 20 anos da Autoeuropa. Mas sublinha também que transferir um modelo para outra unidade ficaria muito caro.

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“Ficamos surpreendidos porque temos relações muito estáveis em Portugal há mais de 20 anos e uma relação de confiança”. Admite que pode ser uma questão financeira, mas considera que é uma combinação de fatores, destacando as mudanças em curso na unidade de Palmela.

Não querendo comentar os turnos de trabalho propostos pela gestão da Autoeuropa, porque isso compete à empresa local, a perceção de Herbert Diess é de que se trata uma reação às várias mudanças que estão em curso, a curto prazo. Não só a nível do reforço da produção, que estava subutilizada há vários anos, mas também ao nível da liderança da comissão de trabalhadores e na própria administração da empresa, com a chegada de um novo diretor de recursos humanos, também alemão. “É uma situação de stress, mas acreditamos na nova administração”.

O gestor acrescenta, que tanto quanto é do seu conhecimento, quando foi negociada a produção na Autoeuropa, há dois anos, foi comunicado aos representantes dos trabalhadores que seria necessário trabalhar aos sábados. Reafirmando a VW está muito satisfeita com as competências e qualificações que existem em Palmela, Herbert Diess defende que todas as partes estão interessadas em resolver a situação.

Questionado sobre se existiam outras unidades da marca a trabalhar todos os sábados, o presidente executivo da Volkswagen respondeu que há fábricas a trabalhar nesse dia. No que diz respeito à laboração todos os sábados, já aconteceu no passado em algumas unidades onde foi utilizada a máxima capacidade de produção. Agora, admite, é uma situação que se verifica em unidades na área dos componentes.

A unidade de Palmela é a única do grupo que vai produzir o T-Roc, um modelo SUV (veículo utilitário desportivo), o primeiro da marca que será lançado no mercado em larga escala até ao final do ano. A VW, acrescenta Diess, acredita que o modelo tem muito potencial de vendas no mercado, daí a mobilização de toda a capacidade da Autoeuropa.

O plano atual para a fábrica portuguesa já é “muito ambicioso”, porque envolve três turnos, mas a empresa admite até reforçar em função da resposta do mercado, o que implicará descontinuar a produção de um dos outros modelos, neste caso, o Sirocco. Já a produção dos monovolumes da VW e da Seat é para continuar.

O modelo T-Roc é uma das estrelas da marca no salão de Frankfurt, a par com os novos carros elétricos do grupo que anunciou uma estratégia muito ambiciosa para este segmento que passa pelo investimento de 20 mil milhões de euros e a produção em grande escala a partir de 2020.

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A jornalista viajou a convite da Volkswagen Autoeuropa