Vinte e um laboratórios de neurociências de vários países, incluindo Portugal, vão trabalhar em rede para estudar como o cérebro controla a aprendizagem e a tomada de decisões, anunciou hoje a Fundação Champalimaud, que participa no ‘mega laboratório virtual’.

O projeto, financiado em 11 milhões de euros por uma fundação britânica e outra norte-americana, envolve, além de neurocientistas da Champalimaud, equipas de França, Reino Unido, Estados Unidos e Suíça. Os diversos grupos vão trabalhar juntos, como se estivessem num único laboratório, e estudar a capacidade de aprendizagem e tomada de decisões humanas usando o ratinho como modelo para as experiências.

Os cientistas vão medir a atividade cerebral no roedor enquanto desempenha determinado comportamento, o que lhes permitirá “estudar a sequência de passos que o cérebro dá para tomar decisões, tais como escolher a melhor maneira de obter comida”, refere a Fundação Champalimaud em comunicado.

Cada laboratório vai fazer medições em centenas de neurónios (células cerebrais) de várias regiões do cérebro ao mesmo tempo, utilizando os mesmos equipamentos.

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“Há cerca de 1.000 regiões no cérebro do ratinho e muitas destas nunca foran estudadas em pormenor”, assinala, citado no mesmo comunicado, o diretor do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, o neurocientista norte-americano Zachary Mainen.

O projeto, financiado pelas fundações Wellcome Trust (Reino Unido) e Simons (Estados Unidos), prevê a constituição de uma base de dados comum e a partilha de ferramentas informáticas de análise de informação com a restante comunidade científica, para facilitar o trabalho de outros neurocientistas.