A jogada do segundo golo do FC Porto no Mónaco merece entrar nos compêndios de qualquer treinador ou jogador que queira aprender um pouco mais sobre futebol: Brahimi recebeu a bola descaído na esquerda perto da sua área, tirou dois adversários da frente numa diagonal para o meio, lançou em profundidade para a cavalgada de Marega pela direita e o maliano só teve de avançar e cruzar para o toque final de Aboubakar na área.

O golo é de classe, mas se a isso juntarmos as queixas físicas de Aboubakar uns minutos antes, quando pediu para ser substituído por cansaço, e o sprint diabólico que fez desde o meio-campo a deixar os defesas adversários bem para trás (e o “bem” ainda foram uns valentes metros) até empurrar para a baliza de Diego Benaglio, percebemos que este FC Porto tem tanto de inspiração como de transpiração. E vai batendo sucessivas marcas.

No caso do camaronês, o Mónaco já sabia com o que podia contar: nos últimos três confrontos, marcou quatro vezes. Mas até no plano individual está a ser o melhor arranque de temporada para o avançado contratado pelos dragões aos franceses do Lorient que esteve cedido ao Besiktas na temporada transata.

Além de Aboubakar, ainda houve Brahimi (que veio do Granada mas chamou a atenção dos azuis e brancos quando estava no Rennes) e Marega (brilhou no Amiens antes de assinar pelo Marítimo e rumar ao Dragão) a deixarem em fanicos a defesa do Mónaco numa equipa orientada por Sérgio Conceição e que teve em Sérgio Oliveira a grande novidade no onze (uma dupla que esteve no Nantes a última época). Ah, e ainda temos Ricardo, o lateral que andou cedido ao Nice mas que foi agora resgatado para a casa-mãe e assumiu a titularidade na direita da defesa.

Tal como o treinador tinha antevisto, o FC Porto conseguiu mostrar a sua grandeza europeia frente ao Mónaco com um triunfo claro por 3-0. Um FC Porto de luxo made in França.