O Sindicato dos Enfermeiros (SE) ameaça voltar a marcar uma greve de cinco dias a começar a 16 de outubro caso o Governo não satisfaça um conjunto de reivindicações entregues, esta terça-feira, ao secretário de Estado da Saúde e que inclui um aumento mínimo de 400 euros para todos os profissionais.

“Para já avançaremos com uma greve de cinco dias, a qual poderá depois passar a tempo indeterminado.” A declaração, em jeito de ameaça, foi feita pelo dirigente sindical José Azevedo, no final da reunião, citado pela Lusa. José Azevedo disse que será marcada nova greve caso o governo não responda positivamente a estas reivindicações até sexta-feira. A greve de cinco dias arrancaria a 16 de outubro.

Um dos pontos prende-se com vencimentos. O Ministério da Saúde propõe a atribuição de um subsídio imediato de 150 euros para os enfermeiros especialistas, uma medida transitória até à negociação das carreiras em 2018, mas o Sindicato dos Enfermeiros não aceita.

“O subsídio aceitamo-lo se for para aquilo que chamamos a nossa proposta. Fizemos uma proposta de que a atualização de vencimentos devia começar em outubro com 50% do que propomos e propomos um aumento de 800 euros para os enfermeiros pago e três anos. Este ano, até ao fim do ano, exigimos que sejam pagos 400 euros a todos. É um bocadinho mais do que os 150 euros para especialistas e só para os que exercem”, explicou.

“Nós não aceitamos. Ou nos dão 400 euros e para todos ou então a parte de dinheiro fica adiada para a parte negocial da carreira, neste caso exigindo que a carreira”, rematou.

Segundo o dirigente do SE, os enfermeiros exigem ainda a resolução imediata das faltas injustificadas que foram marcadas aos enfermeiros que participaram na greve que decorreu entre 11 e 15 deste mês, por o protesto ter sido marcado de forma irregular, segundo o secretário de Estado do Trabalho.

O horário de 35 horas para todos os enfermeiros e o retomar das negociações do acordo coletivo foram outras das reivindicações apresentadas pela Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros (FENSE), da qual faz parte o SE e o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE). Segundo a SIC, nesta matéria os sindicatos e o Ministério terão chegado a acordo.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que não participou na última greve por ter reuniões negociais marcadas com o Governo, também recusou a proposta do Ministério da Saúde e marcou greve para os dias 3, 4 e 5 de outubro.