À entrada para a reunião da Comissão Nacional do PS, o primeiro-ministro disse que a demissão da ministra da Administração Interna “não é o que as pessoas esperam”. António Costa afirmou em Coimbra que a grande responsabilidade do Governo “é dar execução àquilo que são as recomendações” da comissão técnica independente.

O líder do PS espera “que as responsabilidades concretas que sejam individualizáveis e possam ser apuradas”, sem desvalorizar a investigação que compete ao Ministério Público. António Costa reagia às declarações proferidas pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que disse este sábado, em Pedrógão Grande, que Portugal aguarda “com legítima expectativa as consequências que o Governo irá retirar” do incêndio na região Centro no qual morreram 64 pessoas.

Para o líder do PS, as declarações do Presidente da República não trazem uma exigência nova. Marcelo apenas “reiterou aquilo que o Governo tem dito: que é fundamental retirarmos agora todas as ilações que há a retirar do relatório da comissão técnica independente”, considera Costa.

“A grande responsabilidade política que o Governo tem hoje é dar execução àquilo que são as recomendações desta comissão técnica independente”, disse. Questionado pelos jornalistas, António Costa afirmou que não está em cima da mesa a demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

“PS é o único país nacional”, diz Costa

O secretário-geral do PS está em Coimbra para participar na Comissão Nacional do PS, o órgão do partido entre congressos. Na intervenção que fez aos socialistas, António Costa dividiu-se entre os resultados das autárquicas e o Orçamento do Estado entregue pelo Governo esta sexta-feira.

As primeiras palavras serviram para sublinhar o reforço do PS no poder local no pós-1 de outubro. “A verdade é que chegamos ao final destas eleições não com 150 câmaras, mas com 161 eleitas pelo PS, mais 4 de cidadãos independentes apoiados pelo PS”, destacou Costa, acrescentando que o reforço não se ficou pelas presidências de câmaras. Dos 1287 presidentes de junta, o PS saltou para os 1309. “O PS, hoje, é o único partido político em Portugal que tem uma representação verdadeiramente nacional”.

Mas Costa não se limitou a fazer uma panorâmica sobre os resultados dos socialistas. O líder socialistas, que durante a campanha geriu com pinças as intervenções, garantindo que os gastos com as críticas aos partidos à esquerda ficavam para outras figuras do PS, aproveitou o caso de Barrancos para destacar a abrangência da vitória socialista. “Ganhamos na maior câmara do país, mas ganhamos também no mais pequeno município do pais, que é Barrancos”, referiu. Barrancos é uma das 9 câmaras que o PCP perdeu para o PS, de um total de dez derrotas.

As 161 câmaras agora sob gestão socialistas permitem ao PS tomar o controlo das duas áreas metropolitanas do país, Lisboa e Porto, além de reforçar a influência nas comunidades intermunicipais. Ao mesmo tempo, volta a insistir numa mensagem que tem repetido nos últimos meses. “Este vai ser um mandato autárquico diferente dos outros”, porque “vai ser o mandato da descentralização”. E, garante, “essa descentralização vai mesmo avançar”.

Orçamento “eleitoralista”? Costa responde com a “continuidade”

Quando António Costa entrou para a Comissão Nacional do PS, o Orçamento do Estado tinha sido apresentado há menos de 24 horas. E, também ontem, o primeiro-ministro tinha ouvido o Presidente da República manifestar alguma preocupação com um eventual peso “eleitoralista” nos planos do executivo para 2018. “A marca mais importante é ser um orçamento que faz a ponte para o Portugal pós-2020”, disse António Costa, enquanto explicava de que forma este orçamento garante a “estabilidade das políticas”.

Mais emprego, menos desemprego, o “maior crescimento económico desde o início do século”, o “défice mais baixo da democracia”. Isto é o que Governo tem para apresentar, na reta final de 2017. E para o ano? “Quando se está no bom caminho, só há uma solução: dar continuidade ao caminho que temos vindo a seguir”, defendeu o secretário-geral do PS.

E 2018, garante António Costa, será sinónimo de “devolução de rendimentos”, diminuição da carga fiscal com dois novos escalões do IRS, “aumento real do poder de compra” dos pensionistas, descongelamento das carreiras na função pública e a continuação das políticas que criam melhores condições às empresas”. Aí, Costa traça um objetivo: duplicar a fasquia dos mil milhões de euros disponibilizados às empresas para que se “modernizem”.

Costa falou ainda da sustentabilidade da Segurança Social e da “diferença” que separa os dois lados da barricada. Enquanto a “direita” defende a privatização, o PS pretende “reforçar a sua receita, estabilizar o seu fundo de estabilização para que não só as pensões de hoje estejam garantidas como as pensões daqui a 20 anos estejam garantidas”.

Mas a verdadeira resposta a Marcelo Rebelo de Sousa foi deixada para o final da intervenção. O Presidente da República tinha pedido, na sexta-feira, que se olhasse “para o ano que vem e, sobretudo, quando se conceber o Orçamento para 2019, resistir à tentação de ele ser um Orçamento eleitoralista”. António Costa garantiu agora que, “no final de 2018, teremos concluído, entre este ano e o próximo, a maior redução de dívida pública nos últimos 20 anos”, conseguindo assim uma “redução da dívida pública sem paralelo”.

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