A Comissão Europeia apresentou aos Estados-membros uma proposta de autorização da utilização do herbicida glifosato por mais dez anos. A proposta seria votada esta quarta-feira, mas perante a forte probabilidade de chumbo, a Comissão Europeia suspendeu a votação até ter nova proposta.

Antes da votação propriamente dita, a Comissão Europeia decidiu fazer uma consulta informal junto dos seus Estados-membros. Mesmo sem consultar todos membros ficou claro que a proposta seria chumbada o que fez com que a Comissão Europeia recuasse com esta proposta e se prepare para apresentar uma nova. Já em 2016, por falta de maioria qualificada, a Comissão Europeia tinha adiado a votação. E a autorização de utilização do herbicida acabou por ser aprovada apenas por 18 meses.

Portugal não chegou a ser ouvido na consulta informal deste mês de outubro, segundo fonte do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural. A posição do Ministério face a este assunto não é conhecida e não foi divulgada ao Observador.

Já esta terça-feira os membros do Parlamento Europeu apelaram a que o glifosato fosse banido da Europa até 2022, segundo a agência noticiosa AFP. Este bloqueio surge depois de uma petição oficial de Iniciativa de Cidadania Europeia (ICE) para apoiar a proibição do glifosato, com mais de um milhão de assinaturas, ter sido entregue à Comissão Europeia.

Esta iniciativa apela à União Europeia (UE), não só a proibição da substância, mas também a remodelação do processo de aprovação de pesticidas da UE e a estabelecer metas obrigatórias com vista a reduzir a utilização de pesticidas na UE, refere o comunicado do grupo de consumidores SumOfUs promotores da iniciativa.

Em março de 2015, a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o herbicida como “provavelmente carcinogénico para humanos”. A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (AESA) fez uma recomendação considerando o glifosato seguro para utilização pública, mas alguns órgãos de comunicação – os jornais La Stampa (Itália) e The Guardian (Reino Unido) e a rádio RMC (FRança) – acusaram a agência de ter no relatório uma centena de páginas que parecem ter sido copiadas de um pedido de autorização de comercialização do produto arquivado em 2012 pela Monsanto.