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Diretor-geral da Padaria Portuguesa sobre bolos-rei no lixo: “A imagem choca-nos”

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Fotografias de bolos-rei no lixo, em frente a uma Padaria Portuguesa, na Graça, estão a gerar indignação nas redes sociais. Empresa já veio dizer que vai apurar responsabilidades e aplicar medidas.

A Padaria Portuguesa afirma que estas imagens dos bolos-rei fogem à política da empresa e lembra que costumam oferecer sobras

O diretor-geral da cadeia A Padaria Portuguesa diz que a fotografia que mostra vários bolos-rei num caixote do lixo junto à loja da cadeia na Graça, em Lisboa, reflete “uma infeliz exceção” na política que a empresa aplica no que respeita às sobras. “Como a todos os portugueses, a imagem choca-nos. Vai contra os princípios pelos quais A Padaria Portuguesa se rege, assim como contra as políticas que implementa. Nomeadamente, no que diz respeito às sobras”, diz Nuno Carvalho, num comunicado partilhado na página de Facebook da Padaria Portuguesa.

A empresa está novamente envolta em polémica e nem o espírito natalício abrandou o tom das críticas que se multiplicaram nas últimas 24 horas nas redes sociais. Em causa estão fotografias que mostram mais de meia dúzia de bolos-rei em cima da tampa de um caixote do lixo, em frente a uma das lojas desta cadeia, no bairro da Graça, em Lisboa. A Padaria Portuguesa já veio dizer que a loja não seguiu política da empresa e que vai tomar medidas.

“A fotografia que partilha connosco não se coaduna com a nossa política, valores e princípios pelos quais A Padaria Portuguesa se rege. Diariamente oferecemos as sobras de todas as lojas a organizações e associações, nomeadamente a Reefood e Comunidade Vida e Paz”. É desta forma que a empresa se tem estado a defender perante os inúmeros internautas que têm deixado mensagens nas contas oficiais da padaria nas redes sociais.

Infelizmente a loja da Graça não aplicou as diretrizes que lhes foram transmitidas pelo que iremos proceder a uma análise interna de forma a apurar responsabilidades e tomar as devidas medidas corretivas“, completa a empresa.

“Como os nossos produtos são frescos, do dia, o seu prazo de validade é curto. Daí que, desde o primeiro dia da primeira loja, tenhamos feito questão de assegurar que os produtos que não são vendidos sejam distribuídos pelos nossos trabalhadores, assim como recolhidos por várias instituições que prestam um serviço inestimável de apoio aos mais carenciados da nossa comunidade, como a Reefood, a Casa do Gaiato, a Casa dos Rapazes, entre muitas outras”, explica Nuno Carvalho no comunicado divulgado esta tarde.

“Excepcionalmente, na véspera de Natal, quando foi tirada a fotografia no Largo da Graça, os produtos não vendidos durante o dia foram canalizados para algumas das instituições que apoiamos, partilhados com as nossas equipas e com os nossos clientes, e também centralizados na loja do Marquês de Pombal onde, através de uma equipa de mais de 100 voluntários (trabalhadores, familiares e amigos), na manhã do dia de Natal foi oferecido um pequeno-almoço solidário a pessoas sem abrigo e outras pessoas carenciadas”, acrescenta o diretor-geral da empresa.

Esta é mais uma polémica que se vem juntar a outras duas que rebentaram este ano. Logo no início de 2017, Nuno Carvalho, sócio-gerente d’A Padaria Portuguesa, questionado sobre o salário mínimo e a votação da Taxa Social Única, revelou que 25% dos colaboradores recebiam o salário mínimo “em regime de transição” e defendeu a maior “flexibilização da contratação, do despedimento e do horário extra de trabalho“. Esta revelação e a forma como falou geraram indignação. Daniel Oliveira foi uma das vozes críticas: “Um País desigual é isto: cada um vive na sua bolha e, quando fala para a televisão, julga que quem o está a ouvir partilha as suas prioridades”.

Mais recentemente, em outubro, o mesmo sócio-gerente voltou a gerar indignação quando, em entrevista ao Dinheiro Vivo, disse que a empresa faz “investimento a sério nas pessoas”. “Somos muito informados e tratamos as pessoas como pessoas. Criamos um espírito de equipa que vale muito mais do que a remuneração base”, disse Nuno Carvalho. “Isto é o que nos faz ser uma grande empresa. Atender 40 mil pessoas todos os dias com funcionários insatisfeitos não seria possível”, rematou.

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