Aqueles que pensam que a maioria dos condutores vai a correr trocar o seu carro, com motor a combustão, por um veículo eléctrico (VE) apenas para proteger o ambiente, ou não habitam este planeta há tempo suficiente, ou não querem aperceber-se do óbvio.

O sucesso dos eléctricos depende das vantagens que os Estados ofereçam aos seus utilizadores, do acesso a determinadas zonas vedadas a motores de combustão, passando pelo preço, vantagens fiscais e facilidades no estacionamento ou portagens. Só assim os clientes se vão “esquecer” das limitações que os VE impõem, em termos de autonomia, peso e tempo de recarga.

Se tem dúvidas, basta recordar que o sucesso dos VE na Noruega, o líder destacado nas vendas desta classe de veículos, foi construído à custa do não pagamento de impostos, portagens, estacionamento e energia, entre outras regalias. E que bastou a reintrodução de impostos, ainda que parcial, para que o mercado arrefecesse.

Ora, a Áustria parece ter aprendido a lição e tratou de encontrar soluções para tornar os VE mais apelativos. E de uma forma que não lesa os cofres do Estado. A velocidade máxima nas auto-estradas locais está há muito fixada nos 130 km/h. Recentemente, nas zonas mais próximas das grandes cidades, foi decidido reduzir esse valor para 100 km/h, tendo como objectivo a redução das emissões, pois quanto menor é a velocidade, mais baixo é o consumo e, por tabela, as emissões.

Seguindo este raciocínio, o Governo austríaco está a pensar permitir que os carros eléctricos continuem a circular a 130 km/h. Logo, a passar pelos outros a gasolina e a gasóleo, isto porque a maior velocidade dos VE não implica uma maior poluição. É certo que o método norueguês é de longe mais abrangente e eficaz, mas esta ideia austríaca não deixa de ter o seu mérito. E sai barata.