Estados Unidos da América

Depois da neve, o vento gela a costa leste dos Estados Unidos e afeta 100 milhões de pessoas

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Cerca de 100 milhões de pessoas que habitam a costa leste dos Estados Unidos estão a ser afetadas por uma onda gelada com o vento forte a aumentar ainda mais a sensação de frio.

JUSTIN LANE/EPA

Cerca de 100 milhões de pessoas enfrentam um frio gelado na costa leste dos Estados Unidos depois de uma tempestade de neve que chegou até ao Estado da Florida, no Sul. O vento gelado e forte faz ainda descer mais a temperatura cuja sensação térmica terá correspondido a menos 70 graus Celcius (93 graus negativos na escala Fahrenheit), registada no Observatório de New Hampshire em Mount Washington. Na verdade, e não fosse o efeito do vento, estavam “apenas” 38 graus negativos.

Este sábado a costa leste americana foi varrida por ventos da ordem dos 100 quilómetros/hora.

O Presidente americano já reagiu ao tempo extremo que faz sentir com um vídeo no Twitter com o título: “Está desagradável lá fora”

Muitos voos foram esta semana anulados nos aeroportos, e o sítio ‘online’ Flightaware indica mais de 2.250 voos atrasados devido à vaga de frio. Nos vários aeroportos de Nova Iorque, cerca de um terço dos voos foi afetado, e houve passageiros que ficaram bloqueados dentro de aviões por várias horas.

“Bloqueado na pista do aeroporto JFK há mais de três horas, o voo Alitalia 8604. Há passageiros que precisam de cuidados médicos. Ninguém nos diz nada”, escreveu um passageiro, Chris Mendez, na rede social Twitter, durante a noite, acrescentando que no avião havia bebés a chorar de fome e pessoas a telefonar à polícia.

Nova Iorque regista 10 graus negativos, mas a temperatura realmente sentida é ainda mais baixa, obrigando a população a vestir-se com várias camadas de roupa quando arriscam sair à rua, onde podem admirar o rio Hudson, parcialmente gelado. A cidade está em estado de emergência e o frio vai continuar. As temperaturas vão permanecer 20 a 30 graus abaixo do que é normal para a época do ano.

Em Boston, onde os termómetros registaram 12 graus negativos (Celcius) o maior problema foi a falta de bombeiros para responder aos canos que rebentaram depois de congelarem.

A costa do Massachusetts foi ainda invadida por uma maré invulgarmente agressiva que invadiu as ruas e obrigou à retirada de alguns residentes à medida que a água do mar ia congelando. O mesmo problema foi sentido mais a Sul como mostra esta imagem colocada no Twitter tirada em Charleston Batery na cidade de Charleston na Carolina do Sul.

Em New Jersey, nos arredores de Nova Iorque, muitos foram os que optaram por ficar em casa em vez de enfrentar temperaturas negativas de dois dígitos. Alguns testemunhos recolhidos pela agência Bloomberg mostram como os habitantes da região enfrentaram dificuldades acrescidas para fazer as tarefas normais do dia a dia.

“O meu carro parecia um congelador esta manhã, mesmo com o aquecimento ligado no máximo”, disse uma habitante de New Jersey que se deslocou a uma loja de conveniência. A corrida às provisões de emergências começou antes de chegar a tempestade de neve, mas esta americana diz que nos dias seguintes e loucura ainda é maior porque as pessoas ficaram horas ou mesmo dias fechadas em casa.

E nem os desportos de inverno constituem um escape, as temperaturas estão demasiado baixas até para os apreciadores de sky e alguns resorts no estado do Vermont tiveram de fechar por falta de procura. A temperatura nas pistas chegou a atingir menos 14 graus Fahrenheit, o que quer dizer menos 25 graus Celsius. Ninguém quer estar na rua.

E mesmo zonas mais moderadas foram apanhadas por esta vaga de frio, como Baltimore, Washington e a Florida onde há iguanas a cair das árvores, aparentemente congeladas, e tartarugas a sofrer os rigores da água fria, com a temperatura nos 10 graus. O Estado conhecido por ser o solário dos Estados Unidos até viu neve.

Nos humanos, o balanço aponta para 19 mortos, há milhares de pessoas sem eletricidade e muitos procuram abrigos públicos para garantir o aquecimento.

A mesma onda de frio extremo atingiu o Canadá nas duas últimas semanas, com ventos fortes e neve a cortar estradas no leste do Quebeque e em Nova Brunswick.

Os serviços meteorológicos mantêm os alertas de frio extremo em praticamente toda a metade do leste do Canadá, com temperaturas de 50º negativos no norte de Ontário e no Quebeque.

“Cubram-se, porque os ferimentos provocados pelo frio podem desenvolver-se em poucos minutos sobre a pele exposta”, alertou o governo do país, recomendando, em caso de viagens, que se leve um equipamento para as emergências que contenha cobertores e cabos de bateria.

Também nos aeroportos de Toronto e de Montreal, numerosos voos foram anulados ou atrasados várias horas.

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