Um bombista suicida fez explodir um carro por volta das 9h10 em Jalalab, no Afeganistão, à porta da organização não governamental Save the Children. O número de mortes provocado pelo ataque, entretanto reivindicado pelo Estado Islâmico, subiu para seis, de acordo com fontes locais.

Attahullah Khogyani, porta-voz do governo da província de Nangarhar, à qual pertence Jalalabad, precisou que o novo balanço confirma seis mortos, incluindo um civil e três atacantes, e pelo menos 20 feridos. As restantes vítimas mortais são dois polícias.

“Cerca de 45 trabalhadores que estavam retidos no edifício foram resgatados”, acrescentou Attahullah Khogyani, admitindo que o número de vítimas pode aumentar nas próximas horas.

Quem estava no local diz que se ouviram trocas de tiros dentro do edifício, mas, ao início da manhã, não havia ainda indício de vítimas mortais. Uma das testemunhas, Mohammad Amin, disse à Agence France-Presse que ouviu “uma grande explosão” quando estava dentro do edifício. Perto da Save the Children, há mais delegações governamentais e outros grupos de ajuda.

O ataque contra as instalações da organização não-governamental britânica foi levado a cabo por extremistas armados que provocaram ferimentos a, pelo menos, 20 pessoas. “Por volta das 09h10 (04h40 em Lisboa) um veículo armadilhado, conduzido por um bombista suicida, explodiu junto à entrada do complexo da organização Save de The Children abrindo passagem a um grupo de homens armados”, disse à France Presse um porta-voz do governo provincial de Jalalbabd, Attaullah Khoqyani.

Por outro lado, uma testemunha referiu que um homem armado com um lança-foguetes RPG disparou contra a porta principal das instalações. O ataque de Jalalabad, reivindicado agora pelo Estado Islâmico, acontece quatro dias após um atentado em Cabul, reivindicado por talibãs e que fez vinte mortos, 14 dos quais estrangeiros.

Numa mensagem divulgada pela agência de notícias Amaq, ligada aos extremistas, o Estado Islâmico reivindicou o ataque, indicando que a “operação de martírio” tinha como objetivo duas organizações estrangeiras, “uma britânica e uma sueca”, e um organismo governamental afegão.

De acordo com a mensagem, quatro terroristas participaram no ataque, embora Khogyani tenha referido apenas três atacantes. O porta-voz da polícia de Nangarhar, Hazrat Hussain, disse, em declarações à agência espanhola EFE, que as forças de segurança continuam a procurar possíveis outros atacantes dentro do edifício.

A Save the Children já manifestou o seu desalento face ao atentado na sua delegação de Jalalabad e declarou-se preocupada com a segurança dos funcionários no Afeganistão. Num comunicado, a ONG britânica indica que aguarda saber pormenores sobre o sucedido.

Este não é o primeiro ataque de que a organização é vítima no Afeganistão. A 2 de março de 2015, cinco dos seus trabalhadores foram sequestrados e posteriormente executados no sul do país, na região de Tarin Kot, alvo dos talibãs.

Jalalabad, capital da província de Nangarhar, na fronteira paquistanesa, regista uma elevada presença de forças talibãs, bem como de combatentes do grupo radical Estado Islâmico.