O homem que abriu fogo este sábado, a partir de um carro, no centro da cidade italiana de Macerata, foi detido e já foi identificado. Trata-se, segundo o jornal italiano Corriere della Sera, de Luca Traini, de 28 anos, que nas eleições locais do ano passado foi candidato pelo partido de extrema-direita Liga Norte no município de Corridonia.

Pelo menos seis pessoas ficaram feridas, uma delas com gravidade. As vítimas do tiroteio são todas imigrantes de raça negra, confirmou a agência de notícias ANSA, o que leva a crer que o ataque teve motivações racistas e xenófobas.

O ministro do Interior italiano confirmou que o autor do tiroteio foi candidato da Liga do Norte e esteve ligado às formações neofascistas Forza Nuova e Casa Pound. O suspeito, continuou Marco Minniti, agiu sozinho, mas planeou o ataque.

O governante considerou ainda que o ataque, que acontece quando decorre a pré-campanha eleitoral para as eleições gerais de 04 de março, foi motivado por um “evidente ódio racial” e é marcado por uma cultura de “extremismo de direita com referências claras ao fascismo e ao nazismo”.

O homem, que foi detido duas horas depois do tiroteio (que aconteceu às 11h locais), fez uma saudação fascista no momento da detenção, e estava enrolado numa bandeira italiana. Foi também encontrada uma pistola Glock, que o suspeito largou na estrada depois dos disparos.

O município de Macerata emitiu, logo a seguir ao incidente, um comunicado a pedir a todos os moradores que não saíssem de casa, nem para trabalhar, por questões de segurança.

O tiroteio deste sábado aconteceu em várias partes da cidade, nomeadamente na Via Spalato e na Via dei Velini, duas áreas centrais numa outra investigação sobre a morte de uma jovem de 18 anos, Pamela Mastropietro, cujo corpo foi encontrado esta quarta-feira, desmembrado e metido em malas.

O crime chocou o país, tendo sido detido um nigeriano candidato a asilo de 29 anos, identificado como Innocen Oseghale, supostamente traficante de drogas. A polícia ainda não fez qualquer relação entre este crime e o tiroteio deste sábado.

O primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, condenou o ataque a imigrantes africanos, afirmando que “o ódio e a violência” não vão conseguir dividir os italianos. “Uma coisa é certa, crimes horríveis e comportamentos criminosos serão processados e punidos. Esta é a lei”, disse o primeiro ministro, acrescentando que Itália será particularmente severa “especialmente contra quem pensa em alimentar essa espiral de violência”. “Vamos acabar com isso juntos”, disse.