“Este caso é único porque, quando tinha 10 anos, esteve envolvido num assassinato brutal e na tortura de James Bulger. Este foi um crime que envolveu o país e que continua a envolver, mesmo após 25 anos terem passado desde que aconteceu”, disse o juiz, no momento em que leu a sentença, citado pelo jornal The Guardian. É que Jon Venables — o homem que, quando tinha 10 anos, assassinou um bebé de dois, no Reino Unido — foi condenado esta quarta-feira a mais 40 meses de prisão pela posse de mais de 1000 imagens de abuso sexual de crianças.

Foi o próprio Venables que se assumiu como culpado e admitiu que tinha fotografias “indecentes” de crianças e um “manual do pedófilo”. São imagens que o juiz considerou “de partir o coração a qualquer pessoa normal que as veja”. O magistrado suspeita que as fotografias correspondam a crimes levados a cabo por Venables.

Jon Venables estava em prisão preventiva desde novembro do ano passado — altura em que foi detido depois de terem sido descobertas imagens de abuso sexual de crianças no seu computador, durante uma busca de rotina.”Venables provou agora, sem dúvida nenhuma, o psicopata vil e perverso que sempre foi”, disse a mãe de James Bulger na altura da detenção. É que esta não é a primeira vez que Venables é preso por crimes relacionados com posse de imagens de abuso infantil. Já em 2010, tinha sido condenado a dois anos de prisão por ter feito download e distribuído imagens de abusos sexuais a menores. Saiu em liberdade condicional em 2013.

Mas o crime a que o nome Venables está associado, e aquele que “envolveu o país”, aconteceu muito antes: no dia 12 de fevereiro de 1993. Na altura, tinha 10 anos. Em conjunto com o amigo Robert Thompson, raptou James Bulger, de dois anos, que estava com a sua mãe no centro comercial de Bootle, em Merseyside, no Reino Unido. A forma como a criança de dois anos foi encontrada levou o juiz a acreditar que os dois rapazes se tinham inspirado em filmes violentos: morto, despido da cintura para baixo e com tinta azul nos olhos. Bulger foi espancado até à morte com tijolos e uma barra de metal e foi deixado numa linha de comboio, onde foi encontrado dois dias depois de desaparecer.

Os dois rapazes de 10 anos foram condenados a prisão sem data de libertação. Ficaram presos durante oito anos, até 2001, quando saíram em liberdade condicional perpétua. Na altura, foram-lhes atribuídas novas identidades, por causa de uma ameaça do pai de James Bulger, que prometeu “caçar os assassinos do filho”.