Congresso do PSD

Direção de Rui Rio não tem o apoio de 35% do Congresso

Rio consegue mais um conselheiro nacional que a lista d Passos em 2016, mas tem menos apoiantes. Para a direção, teve um resultado mais negativo que o pior de Passos: 35% de votos nulos.

Elina Fraga foi apupada no congresso

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Rui Rio está longe ter tido um bom resultado na eleição para os órgãos nacionais. A lista para a sua direção teve 35% de votos nulos e brancos e apenas cerca de 65% votos favoráveis. A equipa do novo líder do partido teve esta votação: 476 votos a favor, 190 brancos e 69 nulos. Embora tenha recebido o voto de dois terços dos votantes, é um resultado pior que o pior resultado de Passos Coelho. Há dois anos, o anterior líder teve o seu resultado mais fraco após a escolha de Maria Luís Albuquerque para vice-presidente, que provocou uma reação negativa entre os delegados. Agora, a escolha mais polémica de Rui Rio foi Elina Fraga, que motivou duras críticas e que foi apupada pelo congresso quando subiu ao palco. Mesmo assim, com o “efeito Maria Luís”, Passos atingiu os 79,8% dos votos e Rio, com o “efeito Elina” fica-se agora pelos 64,8% dos votos favoráveis.

É pior que qualquer outro resultado das comissões políticas de Passos Coelho, que, em 2010 — mesmo quando enfrentou umas eleições diretas duras contra Paulo Rangel e Aguiar-Branco — conseguiu obter 87,2% dos votos (677 em 774 delegados). Em 2012, ainda fez melhor: 88% dos votos (657 em 745) e, em 2014, ficou-se pelos 85% (660 em 773).

Na lista ao Conselho Nacional, Rui Rio tem uma vitória agridoce: o resultado consegue ser simultaneamente bom e mau. Entre as oitos listas, a chamada lista oficial (a apoiada por Rio e que emanou de um acordo entre Rio e Santana Lopes) obteve 328 votos, em 733 votantes, elegendo 34 conselheiros (328 votos em 733 votantes — 44,75% dos votos). O resultado é bom, por um lado, porque Rio consegue mais um conselheiro nacional do que Passos em 2016, mas é mau porque o novo líder fica com muito menos apoiantes do que aqueles que tinha o anterior líder no órgão máximo entre congressos. Isto porque, tendo em conta proporção, Rio só terá cerca de metade dessas “tropas”, já que a outra metade são apoiantes de Santana Lopes, em resultado da fusão das candidaturas.

Olhando para os primeiros dez nomes, percebe-se que Rio está longe de ter apoiantes de forma maioritária na lista que apoiou. Além da proporção 54%-46% que decorre dos resultados das diretas, a lista apoiada pelo líder do PSD Rui Rio segue lógicas de aparelho:

  1. Pedro Santana Lopes: o candidato derrotado das diretas encabeça a lista apoiada por Rui Rio, de forma simbólica e ontem apelou ao voto nas listas conjuntas.
  2. Paulo Rangel: Foi quase candidato, o que, provavelmente, teria feito com que Rui Rio não conseguisse ser eleito líder do partido nas diretas. Aceitou, no entanto, ser a primeira indicação de Rio.
  3. Arlindo Cunha: O antigo ministro de Cavaco e Barroso é um notável do partido e é nessa condição que foi escolhido por Rio e Santana.
  4. José Matos Rosa: É uma escolha natural e inteligente. É difícil encontrar na estrutura do PSD quem não goste do secretário-geral cessante. É visto como “gajo porreiro” que resolve problemas no partido. No Congresso de 2016 teve a segunda maior ovação, logo a seguir a Zeca Mendonça (o ex-assessor de imprensa dos líderes).
  5. Paulo Cunha: É o primeiro nome do aparelho e foi um apoiantes de Santana Lopes nas diretas. Paulo Cunha é o presidente da concelhia e presidente da câmara municipal de Vila Nova de Famalicão.
  6. Ví­tor Martins: É o primeiro nome de aparelho indicado pelo lado de Rio. Sem surpresa, trata-se do líder da concelhia do PSD de Aveiro e um dos homens de Salvador Malheiro no distrito.
  7. Telmo Faria: Foi um dos estrategas de Santana Lopes nas diretas, tendo sido o autor da moção de estratégia global do antigo primeiro-ministro.
  8. Paulo Ribeiro: O novo líder da concelhia do PSD em Lisboa foi eleito no dia das últimas diretas. Encabeçou a lista da frente anti-Gonçalves e conseguiu vencer, tendo contado com o apoio de vários santanistas. Ele próprio disse que não encabeçava uma lista de Santana, mas que era apoiante de Santana.
  9. Rodrigo Gonçalves: É o antigo presidente interino da concelhia do PSD em Lisboa e um dos caciques com maior influência em Lisboa.
  10. Cláudia Monteiro Aguiar: A eurodeputada da Madeira apoiou Rui Rio nas diretas.

Quanto às restantes listas, a lista H, de Carlos Reis e Sérgio Azevedo, teve 126 votos, de um total de 733, conseguindo eleger 13 conselheiros; A lista E, do líder da distrital de Setúbal, Bruno Vitorino, teve 95 votos, conseguindo eleger 9 conselheiros.

Das restantes cinco listas, duas elegeram apenas um conselheiro e três elegeram quatro. No total, há 36 conselheiros eleitos por listas alternativas à lista do presidente do partido — a chamada lista da unidade. Ou seja, Rio falha a maioria, por pouco.

Para o Conselho de Jurisdição Nacional, a lista apoiada por Rui Rio, encabeçada por Nunes Liberato, conseguiu 264 votos (4 elementos), seguindo-se a lista C, encabeçado por Paulo Colaço, com 225 votos (3 elementos), a lista B, com 141 votos (2 mandatos) e a lista D com 63 votos (0 mandatos)

Na votação para Mesa do Congresso a lista de Rui Rio conseguiu 548 votos em 734 e o órgão será presidido pelo antigo vice-presidente do partido, Paulo Mota Pinto, que terá a companhia de António Almeida Henriques, Lina Lopes, Joaquim Ponte, João Montenegro, Isabel Cruz e Nelson Fernandes. A lista para a Comissão de Auditoria Financeira, que será presidida por Catarina Rocha Ferreira, obteve 5776 votos em 735.

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