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Sérgio tinha breves 17 anos quando saltou dos juvenis para o plantel sénior. Foi há uma década, precisamente uma década.

O treinador portista era Jesulado Ferreira. E o médio treinava no Olival com Helton, Bruno Alves, Lucho González, Hulk ou Lisandro López. Naquela primeira época treinava apenas. Na seguinte, estreou-se: a 17 de outubro de 2009, contra o Sertanense, para a Taça de Portugal. Jesualdo voltaria a utilizá-lo outras três vezes naquela época, sempre nas taças. A estreia foi auspiciosa e Sérgio até fez uma assistência. E tornar-se-ia, então, no mais novo de sempre a vestir de azul-e-branco.

Sérgio tinha quase tudo: era esguio, veloz, o remate era pronto (e forte), tinha como ídolo Pirlo e a precisão do passe “copiava-a” do italiano, fazia todas as posição do meio-campo: seis, oito e até dez. Assinou o primeiro contrato profissional e a cláusula de rescisão impressionou: trinta milhões de euros.

Mas Sérgio seria emprestado na época seguinte, ao Beira-Mar, um Beira-Mar de primeira, para ter minutos e ganhar traquejo. Não ganhou. E pouco jogou. Na temporada a seguir viajou para a Bélgica e para o Mechelen. Chegado o Inverno, e tão apagado que estava na Bélgica, regressou a Portugal e ao Penafiel. Sérgio tardava em cumprir-se. E os portistas fizeram-no regressar a casa. Na equipa secundária provou que ainda tinha intocáveis as qualidades todas que fizeram dele uma “promessa”.

Voltaria ao campeonato principal na temporada 2013/14. Costinha queria-a e o FC Porto libertou-o a custo zero para o Paços de Ferreira – mas mantendo sobre o médio direito de preferência. Costinha e Sérgio Oliveira conversaram. E o treinador recordaria a conversa: “Ele teve uma fase em que a cláusula alta o deslumbrou e, na altura que ele foi para o Paços, foi a primeira coisa que lhe perguntei: se vinha o jogador ‘trinta milhões’ ou o jogador Sérgio Oliveira? Ele garantiu-me que vinha o Sérgio”. Bastaram duas temporadas no Paços e o FC Porto repescou-o. Mas Lopetegui tardou a apostar nele. Despedido o treinador basco, Peseiro fez de Sérgio Oliveira titular no que restava da temporada 2015/16.

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Na seguinte, com Nuno Espírito Santo, voltou a ser pouco utilizado e foi emprestado ao Nantes de… Sérgio Conceição. O treinador não hesitou em incluí-lo no seu plantel no começo desta época.

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FC Porto-Rio Ave, 5-0

Estádio do Dragão, no Porto

Liga NOS 2017/18, Jornada 23

Árbitro: Carlos Xistra (AF Porto)

FC Porto: Casillas; Maxi Pereira, Felipe, Marcano e Alex Telles (Diogo Dalot, 74′); Sérgio Oliveira (Óliver Torres, 72′), Herrera, Corona (Hernâni, 80′) e Brahimi; Marega e Soares

Suplentes não utilizados: José Sá, Reyes, Waris e Gonçalo Paciência

Treinador: Sérgio Conceição

Rio Ave: Cássio; Lionn, Nélson Monte, Marcelo e Yuri Ribeiro; Tarantini, Pelé e Chico Geraldes; Barreto (Nuno Santos, 68′), João Novais (Pedro Moreira, 83′) e Guedes (Gabrielzinho, 78′)

Suplentes não utilizados: Makaridze, Marcão, Bruno Teles e Diego Lopes

Treinador: Miguel Cardoso

Golos: Sérgio Oliveira (2’), Soares (22’; 87′), Marcelo (auto-golo, 34’) e Marega (72′)

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Tarantini (14’) e Corona (36’), Nélson Monte (71′) e Sérgio Oliveira (68′)

Conceição apostava sobretudo em Sérgio Oliveira quando o meio-campo exigia (em encontros mais… exigentes) um terceiro jogador, de luta. Sérgio Oliveira respondeu com luta e bem mais: percorria quilómetros e quilómetros nos relvados, mais do que qualquer outro portista, defendia, conduzia o ataque também, tinha precisão no passe como no chuto. E acabaria por ser mais titular que suplente. E tem mesmo vindo a ser, nos últimos jogos, o melhor – pelas razão acima mencionadas. Voltou a ser contra o Rio Ave, mesmo saindo cedo, ao minuto 72.

Também cedo fez o primeiro golo dos portistas. Logo ao segundo minuto. Alex Telles e Brahimi tabelam à esquerda, Telles cruza para a entrada da área mas Soares não consegue segurar a bola e esta escapa-lhe. Escapa, é verdade, mas a “escapadela” resultou em “assistência” para Sérgio Oliveira, que prontamente rematou, colocado e rente à relva. Cássio bem se esticou mas nem lhe tocaria. Foi o terceiro golo de Sérgio Oliveira nas últimas três jornadas.

O segundo golo foi evitado por Cássio ao minuto 16. Taratini derrubou Soares à entrada da área do Rio Ave. Na cobrança do livre, mesmo frontal à baliza, Brahimi faz a bola sobrevoar a barreira, esta dirigia-se para o canto superior esquerdo, mas Cássio com uma palmada de luva esquerda desviou-a. Evitou ao minuto 16 mas não ao 22. Canto à esquerda, Alex Telles bate-o para a “molhada”, Soares estava a ser agarrado por Lionn, empurra-o e livra-se do agarrão, procura a bola, salta mais alto do que Nélson Monte e cabeceia colocado.

Antes do intervalo, ao minuto 34, o terceiro: Brahimi isolou, à esquerda, Marega nas costas da defesa do Rio Ave, o maliano cruzou, Marcelo tentou impedir o cruzamento mas acaba, azarado no corte, por fazer uma “chapelada” a Cássio.

O Rio Ave que nada fez na primeira parte reagiria no começo da segunda. Sempre por João Novais. Primeiro, ao minuto 48, num livre ligeiramente descaído para a direita, ainda distante da baliza, Novais (que é especialista, como o pai Abilio era, nisto de bater um livre) bateu em arco e Casillas precisou de se esticar a bem esticar para defender junto ao poste direito. Ao minuto 55, mais um remate de Novais, agora vindo da esquerda para o centro, e mais uma defesa de Casillas rente ao poste, o esquerdo.

Se na primeira parte a intensidade dos portistas foi sufocante para o Rio Ave, na segunda desceria. Ainda assim, mesmo em gestão, outros dois golos ainda se festejaram no Dragão. Primeiro ao minuto 72. O livre era quase um canto à esquerda. Bateu-o Alex Telles, bateu para o primeiro poste, Marega antecipou-se a Marcelo e desviou de cabeça para o quarto. Foi o 17.º golo de Marega no campeonato esta temporada. O Rio Ave é a “vítima” de eleição de Marega no campeonato: oito golos em sete jogos com os vilacondenses.

Quase, quase fechar, ao minuto 87, o quarto. Mas demorou looooongos minutos a validação do golo — pois Carlos Xistra (que assinalou primeiro fora-de-jogo de Tiquinho Soares) precisou de consultar o VAR. E consultado o VAR, não havia quaisquer dúvidas: Soares estava em posição legal. Maxi Pereira rematou, o rematou ressaltou em Marcelo na grande área e o ressalto acabou por resultar numa assistência para Soares, que em frente da baliza só precisou de esticar a perna direita e encostar. O brasileiro bisa pela segunda jornada seguida. Nos últimos quatro jogos, cinco golos de Soares.