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A 11 metros do empate e a 20 metros do que era suposto (a crónica do P. Ferreira-FC Porto)

Quando menos se esperava, FC Porto somou a primeira derrota nacional ao 35.º jogo em Paços de Ferreira (1-0). Perdeu porque falhou um penálti? Também mas não só (vento, chuva e poças à parte).

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Brahimi falhou uma grande penalidade aos 68' que poderia ter mudado por completo o cariz do encontro

AFP/Getty Images

Brahimi falhou uma grande penalidade aos 68' que poderia ter mudado por completo o cariz do encontro

AFP/Getty Images

Ao intervalo, com o P. Ferreira em vantagem por 1-0 tal como acontecera com o Benfica, o FC Porto tinha uma espécie de jogo da verdade ou consequência. E perdeu. Na verdade, nunca conseguiu dar aquele abafo nos pacenses como os encarnados deram. Como consequência, sofreu a primeira derrota nas competições nacionais ao 35.º jogo. E logo contra um adversário que tinha sido cilindrado no Dragão por 6-1 e que vinha de cinco derrotas.

Mérito do P. Ferreira à parte, que teve e muito, alguma coisa correu mal aos azuis e brancos. Que ficaram a 11 metros do empate, quando Brahimi desperdiçou uma grande penalidade aos 68′. Que ficaram a 20 metros do que era suposto, pelo jogo fraco de André André e Sérgio Oliveira no corredor central. O resto, logo se verá. Mas entre os muitos metros que faltarão percorrer nas últimas oito jornadas do Campeonato, há um dado importante a reter: ao contrário do que tinha acontecido até aqui, o FC Porto não depende apenas de si para ir jogar à Luz daqui a umas rondas com a certeza de que, qualquer que seja o resultado, ficará na liderança. Esse dado muda muita coisa.

No final do encontro, Sérgio Conceição falou nas dificuldades que o vento e a chuva provocaram e na falta de dinâmica e intensidade da equipa, mas colocou o foco no anti-jogo pacense. Analisando o jogo, pode ter razão. Mas não é sempre assim quando uma equipa que menor valia está a ganhar a um grande? É. E as coisas só chegaram a esse limite porque o FC Porto falhou em três pontos: 1) pela primeira vez, as muitas ausências fizeram-se sentir, sobretudo as de Danilo e Herrera no meio-campo (fora Soares e Marega, maliano que é mais importante do que se possa pensar); 2) os dragões não existiram no corredor central e, quando passaram a existir, já tinham acantonadas as linhas mais baixas do P. Ferreira; 3) pecaram nem tanto na finalização mas na capacidade de criar oportunidades, ficando em branco pela primeira vez extra jogos grandes com Sporting e Benfica.

Ficha de jogo

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P. Ferreira-FC Porto, 1-0

26.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Capital do Móvel, em Paços de Ferreira

Árbitro: Bruno Paixão (AF Setúbal)

P. Ferreira: Mário Felgueiras; João Góis, Rui Correia, Miguel Vieira, Filipe Ferreira; Assis, Rúben Micael (Vasco Rocha, 83′); Xavier (Ricardo, 86′), Pedrinho, Quiñones e Luiz Phellype (Bruno Moreira, 90′)

Suplentes não utilizados: Rafael Defendi, Bruno Santos, André Leão e Mabil

Treinador: João Henriques

FC Porto: Casillas; Ricardo Pereira, Felipe, Marcano, Diogo Dalot; André André (Gonçalo Paciência, 63′), Sérgio Oliveira; Corona (Hernâni, 75′), Brahimi, Waris (Otávio, 53′) e Aboubakar

Suplentes não utilizados: José Sá, Maxi Pereira, Diego Reyes e Paulinho

Treinador: Sérgio Conceição

Golo: Miguel Vieira (34′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Luiz Phellype (72′), Sérgio Oliveira (73′), Otávio (80′), Xavier (86′), Mário Felgueiras (90+2′) e Filipe Ferreira (90+6′); cartão vermelho direto a José Sá no final do jogo

Mas recuemos duas jornadas atrás, a 24 de fevereiro, quando os atuais campeões foram jogar ao Capital do Móvel. Para quem tenha acompanhado o P. Ferreira-Benfica, houve muitas semelhanças em relação à primeira parte desse jogo apesar das nuances que João Henriques introduziu na equipa, como a passagem de Quiñones para ala (Filipe Ferreira atuou como lateral) ou o posicionamento de duas unidades de construção no corredor central sem ter propriamente um duplo pivô desenhado como aconteceu com os encarnados.

FC Porto sofre a primeira derrota em provas nacionais ao 35.º jogo: 1-0 em Paços de Ferreira

Rúben Micael, com um remate fácil e à figura de Casillas (6′), e Pedrinho, num lance que começou com um erro de Sérgio Oliveira na primeira fase de construção e que acabou com o médio a colocar para intervenção incompleta do espanhol (18′), tiveram os dois primeiros remates enquadrados sem que o FC Porto conseguisse mais do que um livre indireto de Sérgio Oliveira que mais um bocado e saía do estádio (10′) e um par de cruzamentos cortados pelos dois centrais pacenses. E aqui, uma nota para quem acompanha mais o futebol nacional: Rui Correia, o defesa que se começou a destacar no Nacional, é daqueles que fica na retina e ainda pode dar mais um salto, mas Miguel Vieira, que já tinha sido um dos melhores com o Benfica, tem revelado grande qualidade nos jogos grandes.

O problema do FC Porto extra relvado (para jogadores como Corona ou Ricardo, tentar sair em velocidade com bola no pé a prender não é a mesma coisa…) era visível: o meio-campo. André André, a alternativa para as baixas de Danilo e Herrera, não acertou um remate, um cruzamento, um drible e um duelo aéreo na primeira meia hora de jogo mas, pior do que isso, sentia grandes dificuldades para unir setores; Sérgio Oliveira, o joker que o treinador conseguiu resgatar para marcar, assistir, jogar e fazer jogar a equipa mediante as circunstâncias, esteve fora dela toda a primeira parte, fosse nas zonas de pressão, fosse na primeira fase de construção.

Após uma insistência na sequência de um canto, o P. Ferreira marcou: primeiro remate de Filipe Ferreira a bater de forma violenta em Waris, cruzamento rasteiro do lado esquerdo e entrada à matador ao primeiro poste. De quem? Miguel Vieira, aquele central que, ao 11.º encontro com um grande, mostrou que também sabe marcar (ou muito nos enganamos ou este central não ficará muito mais tempo na Capital do Móvel, mas veremos a sua evolução).

A reação dos adeptos azuis e brancos na bancada foi de quem não acusou o toque; em campo, pareceu até “espicaçar” os líderes do Campeonato, que pouco mais de um minuto depois obrigaram Mário Felgueiras à primeira e única defesa em toda a primeira parte: grande jogada de Diogo Dalot pela esquerda, cruzamento de pé direito e toque de Aboubakar ao primeiro poste a ser travado por instinto pelo guarda-redes português (36′); seis minutos depois, num lance de insistência em que ganhou na força a três defesas, o camaronês atirou ao lado.

Com troca de jogadores, de posições ou de movimentos, Sérgio Conceição estava obrigado a mexer e houve um lance de Brahimi, quase em cima do intervalo, que evidenciou bem o que faltava: o argelino saiu do corredor esquerdo, foi receber a bola entre linhas pelo centro e conseguiu automaticamente desequilibrar a estrutura e dinâmica defensiva do P. Ferreira (a jogada acabou por falhar no último passe, mas o “segredo” tornou-se aí evidente). Eram esses 20 metros, entre a zona de construção e os espaços à frente dos centrais, que estavam sem dono.

O treinador dos dragões podia ter ido pelo mais fácil: colocar mais presença na área e arriscar um jogo direto. E porquê? Porque muitas vezes as análises vão entroncar sempre aí, no risco ou não que se toma. Ao invés, o técnico esqueceu a árvore, olhou para a floresta de problemas que via na equipa e trocou um avançado (Waris, o senhor zero remates, zero cruzamentos, zero dribles e zero passes para golo) por um médio ofensivo, Otávio. E o jogo mudou: o P. Ferreira deixou de sair em transições, o FC Porto ganhou critério na construção. Começava a sentir-se aquela ideia de que os visitados estavam nas cordas e, aí sim, entrou Gonçalo Paciência para dar presença na área, para o lugar do desinspirado André André.

Os azuis e brancos insistiam, o jogo ficou resumido a um só meio-campo e não demoraria muito até chegar a grande oportunidade do encontro: após um cruzamento de Dalot, Felipe ganhou a frente do lance na área e foi carregado em falta por Rui Correia. A meio da segunda parte, Brahimi tinha nos pés o empate e, consequentemente, a rampa de lançamento para uma “remontada” como tinha acontecido com o V. Guimarães e com o Estoril. Que é como quem diz, estava a 11 metros de virar o jogo. Mário Felgueiras, na segunda defesa apenas que fez até aí, travou o penálti que, de início, parecia ter como executante Sérgio Oliveira e não o argelino.

Gonçalo Paciência ainda teve dois remates defendidos pelo guardião pacense, mas as dificuldades de criação no último terço foram notórias, muito por culpa de um meio-campo azul e branco que falhou em toda a linha e, quando ajustou, já apanhou pela frente uma muralha mais densa dos visitados, que tinham recuado linhas de forma estratégica mas também porque, fisicamente, estavam muito perto do estoiro final. Sete minutos de descontos depois, o FC Porto não conseguiu mesmo marcar e somou a primeira derrota na Liga e em provas nacionais, reabrindo por completo a decisão do título e tornando ainda mais decisivo o encontro na Luz com o Benfica.

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