Subiu para 62 o número de casos confirmados de Sarampo, mais nove do que no último balanço feito pela Direção-Geral da Saúde, esta segunda-feira. Os casos suspeitos também subiram para 168, mais 23 do que na última atualização.

A maioria dos casos suspeitos têm ligações ao Hospital de Santo António, no Porto, sublinhou a Direção Geral de Saúde no último balanço sobre este surto, divulgado ao início da noite desta noite. Destes, 62 foram confirmados laboratorialmente pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Estão ainda internados seis doentes “com situação clínica estável e a aguardar investigação laboratorial”, diz-se no comunicado da DGS.

Esta segunda-feira a DGS tinha ainda referido que dentro dos casos confirmados, todos adultos, um pertence à Região Centro com ligação ao surto que decorre na região Norte. A DGS diz ainda ainda que 51 casos foram infirmados (não validados) e que ainda há dezenas de casos que aguardam resultado laboratorial. Há cinco doentes internados em situação clínica considerada estável.

A DGS informa também que está em curso a investigação epidemiológica detalhada da situação, que inclui a investigação laboratorial de todos os casos, e que, em conjunto com a rede de Autoridades de Saúde, com o Instituto Doutor Ricardo Jorge e com os profissionais de saúde, a evolução da situação está a ser acompanhada.

Segundo o Expresso, o surto de sarampo que se verifica em Portugal teve origem em cidadãos infetados fora do país. O ponto de partida para esta transmissão em cadeia, escreve o jornal, terá sido um jovem francês que foi assistido no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e dois funcionários do Santo António, uma enfermeira e um auxiliar que regressaram do estrangeiro. Os peritos não sabem ainda qual foi o caso inicial, mas admitem que poderá ter sido o auxiliar, porque não estava vacinado e tinha sintomas mais visíveis.

Em declarações à agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos, assegura contudo que a maioria dos profissionais de saúde diagnosticados com a doença no hospital de Santo António, no Porto, estavam vacinados. Miguel Guimarães avisa que “mesmo tendo a vacina pode contrair-se sarampo. Tem-se uma forma mais leve, que é o que está a acontecer com a maioria das pessoas”, indicou.

No comunicado da DGS lê-se ainda que “o sarampo é uma das doenças infeciosas mais contagiosas podendo provocar doença grave, principalmente em pessoas não vacinadas.” O vírus, explica, é transmitido por contacto direto com as gotículas infeciosas ou por propagação no ar quando a pessoa infetada tosse ou espirra. Os sintomas de sarampo aparecem geralmente entre 10 a 12 dias depois da pessoa ser infetada e começam habitualmente com febre, erupção cutânea, tosse, conjuntivite e corrimento nasal.

O Programa Nacional de Vacinação recomenda a vacinação com duas doses, aos 12 meses e aos 5 anos de idade. Numa avaliação efetuada no âmbito do Programa Nacional de Eliminação do Sarampo foram atingidas coberturas iguais ou superiores a 98,0%, com duas doses da vacina contra o sarampo, no total de nascimento verificados — idade chave para a vacinação — entre 1999 e 2009.