Keith Raniere é o nome do homem que comandava a seita Nxvim e que foi deportado pelas autoridades mexicanas para os Estados Unidos. Foi detido no passado domingo, nos arredores de Puerto Vallarta, México, acusado de “tráfico sexual” e “trabalhos forçados”. Entre outras coisas Raniere marcava as mulheres escravas com as suas iniciais na região pélvica, como se de gado se tratassem e tornava-as suas escravas sexuais.

Através da criação de um “império”, no fundo de uma farsa, conseguiu utilizar mulheres para satisfazer os seus desejos sexuais, destruindo inúmeras vidas.

Raniere criou uma sociedade secreta de mulheres com as quais fazia sexo e que foram marcadas com as suas iniciais e forçadas a fazê-lo sob a ameaça de divulgação dos seus dados pessoais e de apropriação dos seus recursos”, diz a acusação apresentada ao Departamento de Justiça.

William Sweeney, que está à frente da investigação do FBI, afirma que este homem, que estava fugido à polícia norte-americana, “demonstrou um abuso asqueroso de poder” para, acrescentou, “denegrir e manipular as mulheres que considerava suas escravas sexuais”.

O site Frank Report, que segue de perto a seita internacional, escreve que Raniere fugiu para o México depois de o New York Times ter publicado uma reportagem em que revelava que algumas mulheres eram forçadas a ter sexo e eram marcadas com as iniciais do “mestre” como se fossem gado.

Mulheres tratadas como gado

Durante duas décadas este homem organizou sessões de autoajuda e motivação através da Nxivm, com sede em Nova Iorque, mas que está também presente no Canadá, México e países da América do Sul. As reuniões funcionavam como parte do chamado Programa de Sucesso Executivo (ESP, na sigla em inglês). Os participantes pagavam milhares de dólares para frequentar os cursos e adquirir manuais. A organização chegou a ter 16 mil pessoas.

O jornal El País escreve que, em 2015, os líderes da seita criaram um grupo mais restrito dentro da organização, ao qual chamaram DOS (qualquer coisa como “Dominante Sobre Submisso”, em português). O grupo funcionava com mulheres escravas que tinham “donos” e estas tinham de recrutar outras mulheres para subirem na hierarquia, no topo da qual apenas se encontrava Raniere, ou Vanguarda como era conhecido.

O plano estava bem estudado: o Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirma que “muitas escravas eram marcadas na região pélvica com uma caneta cauterizadora com um símbolo que continha as iniciais de Raniere”, marcas essas que eram realizadas por um profissional de saúde — que seguia a mesma seita –, numa cerimónia que era gravada em vídeo e na qual as mulheres eram obrigadas a ficar completamente nuas.

As mulheres que se iniciavam neste novo grupo eram obrigadas a fornecer informações que comprometiam amigos e familiares, como fotos íntimas ou dados bancários, por exemplo. Se decidissem abandonar o grupo eram chantageadas.

“Estes graves crimes contra a humanidade não são só espantosos como também desconcertantes. Hoje colocamos fim a esta tortura”, foram as palavras de Sweeney após a detenção de Raniere.