EDP

Casa de Manuel Pinho em Nova Iorque custou cerca de 1 milhão de euros

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A sociedade offshore do ex-ministro da Economia que detém o imóvel terá recebido cerca de 1,3 milhões de euros do saco azul do Grupo Espírito Santo.

ESTELA SILVA/LUSA

O apartamento que Manuel Pinho tem em Nova Iorque foi comprado em junho de 2010 e custou 1.242.265 dólares (cerca de 1 milhão de euros ao câmbio atual). A notícia é dada pelo Correio da Manhã que acrescenta que a sociedade offshore Blackwade — a proprietária do imóvel que pertence ao ex-ministro da Economia, tal como o próprio já tinha confirmado ao Observador — terá recebido indiretamente cerca de 1,3 milhões de euros da Espírito Santo (ES) Enterprises, o famoso saco azul do Grupo Espírito Santo (GES).

Esse valor de 1,3 milhões de euros terá sido transferido, segundo aquele jornal, pela ES Enterprises para uma segunda sociedade offshore que alegadamente também pertencerá a Manuel Pinho e cujo nome não é revelado. Terá sido através dessa empresa que a Blackwade recebeu o mesmo montante.

Esta informação, que consta dos autos do inquérito do caso EDP aberto no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), reforça a ideia de que os procuradores Carlos Casimiro e Hugo Neto apostam numa nova linha de investigação que tem o saco azul do GES como ponto forte. O Observador já tinha noticiado que a ES Enterprises transferiu cerca de 315 mil euros para Pinho entre 2013 e 2014.

Tal como o Observador já tinha noticiado, os magistrados do DCIAP que investigam o alegado favorecimento do ex-ministro Manuel Pinho e do Governo de José Sócrates à EDP, liderada por António Mexia, no valor de cerca de 1,2 mil milhões de euros, estão à procura de novas provas nos autos dos processos do Universo Espírito Santo e da Operação Marquês. Uma das provas que foram solicitadas relacionam-se com “eventuais pagamentos efetuados por sociedades do universo GES [Grupo Espírito Santo] ao arguido António Mexia, bem como a de todos os [pagamentos] realizados ao arguido Manuel Pinho, nomeadamente pela [sociedade offshore] Espírito Santo (ES) Enterprises”, lê-se num despacho datado de 13 março consultado pelo Observador nos autos do caso EDP.

A suspeita original do Ministério Público indica que António Mexia e João Manso Neto, administrador e braço-direito de Mexia na EDP, terão alegadamente corrompido Manuel Pinho através de um patrocínio de 1,2 milhões de dólares concedido à Universidade de Columbia para que o ex-ministro da Economia fosse contratado como professor num seminário dedicado às energias renováveis — o que terá permitido a Pinho ganhar cerca de 137 mil dólares em 2011.

Mas os indícios de que a ES Enterprises terá transferido cerca de 1,3 milhões de euros para sociedade offshore que alegadamente pertencerá a Manuel Pinho podem levar a investigação do caso EDP a alargar as suspeitas de corrupção ao GES de Ricardo Salgado — que era igualmente acionista da EDP. Num despacho emitido em março, e revelado pelo Observador, os procuradores do DCIAP já tinham enfatizado as ligações históricas de Manuel Pinho (ex-administrador do BES entre 1994 e 2005) e de António Mexia (ex-administrador do BES Investimento entre 1990 e 1998) ao grupo da família Espírito Santo.

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