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Mais de 35 artistas expõem propostas sobre alterações climáticas no MAAT

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Vai estar patente uma exposição sobre alterações climáticas no MAAT, em Lisboa, até 8 de outubro. "Eco-Visionários: Arte, Arquitetura após o Antropoceno" está dividida em quatro secções.

© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Mais de 35 artistas “eco-visionários” apresentam as suas visões críticas e criativas sobre as alterações climáticas, apontando consequências e soluções, através de peças expostas no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, a partir de quarta-feira.

“Eco-Visionários: Arte, Arquitetura após o Antropoceno” é o título da mostra que resulta de um projeto de colaboração do MAAT com vários museus europeus, centrado no pós-Antropoceno — designação recente de um novo período geológico definido pelo impacto das ações humanas.

Esta exposição, em Lisboa, apresenta contributos de artistas, arquitetos e designers, portugueses e estrangeiros, e consiste na primeira e mais abrangente das quatro mostras que vão decorrer em paralelo em Portugal, Espanha, Suíça e Suécia.

A exposição está dividida em quatro secções: “Desastre”, “Coexistência”, “Extinção” e “Adaptação”. A primeira apresenta, através de vídeos e fotografias, um retrato dramático da situação atual do planeta e apela a uma consciência ecológica urgente.

Em “Coexistência”, os artistas “alimentam visões de que podemos resolver o problema” e “oferecem ideias de mitigação”, que permitem a relação entre espécies, respeitando a coexistência geográfica, explicou o curador da mostra e diretor do museu, Pedro Gadanho, numa apresentação aos jornalistas.

Um vídeo documenta processos em que a selva da Amazónia foi a Tribunal, porque foi constituída como entidade jurídica, outro revela o trabalho feito com populações indígenas, à volta dos rios, sobre o impacto que as barragens têm nas comunidades locais.

Uma outra peça é um projeto de arquitetura — um projeto real, que está em curso –, de uma casa desenhada para o Texas de forma a compensar a toxicidade da água e preservar espécies que começam a ficar ameaçadas.

A secção sobre “Extinção” é a mais polémica e nela se expõem as consequências dramáticas do aquecimento global nos ecossistemas, sugerindo que algumas espécies vão ser extintas — como é o caso do ser humano, que não está biologicamente preparado para a subida das temperaturas — tal como aconteceu há 65 mil milhões de anos com a extinção dos dinossauros e de outras espécies.

“Segundo os cientistas, corremos o risco de entrar na sexta extinção de massas, e o planeta sobreviverá com outra forma de vida e existência”, acrescentou Pedro Gadanho.

Uma das peças mais emblemáticas desta secção é uma experiência audiovisual, que convida o visitante a entrar numa sala e ouvir a gravação de um texto documental — escrito por um biólogo marinho — sobre as perspetivas futuras de evolução da espécie humana — enquanto assiste à transformação de um espelho — que reflete as pessoas sentadas nessa sala — num aquário de medusas, uma das espécies que mais vai crescer com as alterações climáticas.

“É um trabalho mais documental, com pessoas reais. Ouve-se os especialistas a falar sobre medusas. Esses animais continuarão a existir, enquanto nós desaparecemos”, explicou Pedro Gadanho.

Na última secção, “Adaptação”, procura-se encontrar soluções, partindo de várias correntes de pensamento que existem quanto às alterações climáticas: as que defendem que se o Homem conseguiu construir tudo o que construiu, também se conseguirá adaptar; e as outras que defendem que é preciso desacelerar.

Parte-se para esta sala com a seguinte questão: “se fomos nós a conceber a próxima extinção em massa, seremos capazes de criar uma solução para a mesma?”. “Considerando os desastres que nos rodeiam e a extinção das espécies, pensamos: o que podemos fazer?”, sendo este o pressuposto para as peças artísticas da última parte da mostra, explicou a outra curadora da exposição, Mariana Pestana.

Uma das peças que compõem esta secção está a ser desenvolvida há vários anos e consiste numa máquina de biogás que permite transformar resíduos humanos em energia para sustentar uma pessoa, permitindo-lhe cozinhar, tomar duche e outras tarefas dependentes de energia.

“Acreditam que estas unidades podem ser máquinas do futuro, a ser usadas nas casas, mas isto leva-nos a pensar que temos que mudar radicalmente a forma de viver”, disse Mariana Pestana. A exposição “Eco-Visionários: Arte, Arquitetura após o Antropoceno” vai ficar patente no MAAT até 8 de outubro.

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