Um vídeo publicado no Instagram mostra o interior de um foguete reforçador, uma das peças que dão propulsão aos foguetões, de um Falcon 9 que a companhia privada SpaceX mantém em exposição na sede da empresa em Hawthorne, no estado norte-americano da Califórnia. O vídeo foi captado por um drone que se aproximou sem autorização do foguete de Elon Musk, subiu até ao topo do veículo espacial e entrou no interior da câmara. As imagens estão há mais de um ano na página de uma mulher chamada Angel Borjas e só tem 156 visualizações. Nunca foi eliminado pela SpaceX.

https://www.instagram.com/p/BRwgf8bgGWV/?taken-by=borjas8504

O Falcon 9 é capaz de enviar para o espaço mais de 13 toneladas de material, desde satélites a mantimentos, que são postos na baixa órbita terrestre ou no interior da Estação Espacial Internacional. Até ao lançamento bem sucedido do Falcon Heavy, atualmente o foguetão mais poderoso do mundo, este veículo espacial era o único membro ativo da família Falcon da SpaceX. É composto essencialmente por ligas de alumínio soldadas por fricção e fibra de carbono. Mas para que o Falcon 9 possa subir até ao espaço serve-se de dois foguetes laterais, que queimam combustível sólido ou líquido e que levantam o foguetão. Foi no interior de um foguete desses que o drone de Angel Borjas entrou.

O foguete que a SpaceX de Elon Musk mantém na sede foi posto em exposição permanente em agosto de 2016 e foi utilizado no primeiro lançamento e primeira aterragem bem sucedidas de um Falcon 9. O foguete tem 49 metros de altura e foi lançado para o espaço a 21 de dezembro de 2015, mas aterrou com sucesso no Cabo Canaveral depois de ter largado 11 satélites de comunicações Orbcomm na baixa órbita terrestre. Nunca antes o mundo tinha visto o foguetão levantar voo e depois voltar a aterrar na Terra em marcha-atrás: o Falcon 9 e os foguetes propulsores voltaram a uma velocidade de seis mil quilómetros por hora enquanto queimavam querosene e oxigénio líquido.

Agora pode ser visto no canto sudeste da sede da companhia privada de transportes espaciais no cruzamento entre Crenshaw Boulevard e Jack Northrop Avenue (duas avenidas nos subúrbios de Los Angeles), uma localização que teve de ser aprovada pela Administração Federal de Aviação por estar muito próxima do aeroporto.

Foram dois foguetes como este sobrevoado por um drone que um Falcon 9 da SpaceX enviou para o espaço o Satélite de Rastreio de Exoplanetas em Trânsito — nome português para a missão Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS) — da NASA. O satélite foi deixado numa órbita elíptica em redor da Terra para vasculhar 90% do espaço em nosso redor em busca de novos exoplanetas e de novas formas de os estudar. Esta missão envolveu uma equipa de portugueses do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, um dos polos do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, que vão ser responsáveis por fazer uma “caracterização da estrela-mãe e perceber se pode albergar um ou mais planetas. Ao estudar essas estrelas podemos assumir determinadas propriedades físicas dos planetas”, explicou ao Observador o líder da equipa, o astrónomo Tiago Campante.